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Bolsonaro: Mendonça sabe da dificuldade de ter o nome aprovado pelo Senado

Há três meses o ex-advogado-geral da União e pastor presbiteriano André Mendonça aguarda a marcação da sabatina pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre

Ingrid Soares
postado em 26/10/2021 19:58 / atualizado em 26/10/2021 20:26
A declaração do presidente ocorreu durante culto em comemoração aos 106 anos da Assembleia de Deus -  (crédito: Evaristo Sá/AFP
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A declaração do presidente ocorreu durante culto em comemoração aos 106 anos da Assembleia de Deus - (crédito: Evaristo Sá/AFP )

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (26/10) que o ex-ministro André Mendonça, indicado para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sabe da "dificuldade" de ter seu nome aprovado pelo Senado. A declaração ocorreu durante culto em comemoração aos 106 anos da Assembleia de Deus.

"Estamos, se Deus quiser, na iminência de ter um pastor ministro do Supremo Tribunal Federal. Uma pessoa que tem um currículo invejável. Tenho conversado com ele há muito. Que sabe das dificuldades, não para passar na sabatina, ele passa com nota quase 10, mas da dificuldade (de) na votação secreta ter seu nome aprovado".

O chefe do Executivo completou que o objetivo do governo com a indicação não é o de perseguir membros da Corte.

"É uma pessoa que eu digo né, tem tomado Tubaína comigo há dois anos. Pedi pra ele: quero que toda semana comece com uma oração dentro do STF. Que você almoce uma vez por mês comigo. Que você leve realmente a mensagem que todos nós queremos. Ele não quer, nem eu quero, perseguir ninguém dentro do STF. Não queremos perseguir ninguém".

Bolsonaro usou uma decisão do Supremo que derrubou a validade de uma lei do Mato Grosso do Sul que tornava obrigatória a inclusão de um exemplar da Bíblia em escolas e bibliotecas públicas do estado para dizer que, caso seja aprovado, Mendonça pode "pedir vista", "ficar sentado" em cima da pauta e levar "equilíbrio". Ele também defendeu a renovação da Corte.

"Queremos é levar a paz lá para dentro. O equilíbrio, porque essas pautas sobre conservadorismo o tempo todo estão dentro daquela casa. Nesse caso que eu falei sobre a biblioteca ter ou não a bíblia, ele pode pedir visto, vai ficar sentado em cima do processo a vida toda e continua valendo a lei estadual. E quem se eleger presidente no ano que vem, em 2023 indica mais dois para o STF. A renovação é salutar", apontou.

O presidente ainda questionou o destino do país caso Lula seja eleito em 2022 e possa escolher mais dois ministros.

"O STF também se renova. Temos gente boa e gente que não é boa em tudo quanto é lugar. Mas imaginem se aquela outra pessoa por ventura se eleger indicando mais dois para o Supremo. Qual o nosso destino? Qual o perfil das pessoas que ele vai indicar?".

Ele acenou à bancada evangélica, dizendo ser necessário colocar na balança os atos do governo, que julga em sua maioria, bons.

"Nós somos responsáveis pelo nosso futuro. o que nós plantamos na política, nós colhemos. Se não está bom, vamos mudar. Temos em Brasília uma bancada evangélica. Acho que tem uns 80 parlamentares. Se botar na balança o pró e o contra, a balança do pró está muito maior do que a do contra. Muito maior. Nós temos que nos identificar com quem colocamos lá. Aquela pessoa que fala a nossa linguagem, que frequenta a nossa casa".

Há três meses o ex-advogado-geral da União e pastor presbiteriano André Mendonça aguarda a marcação da sabatina pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre.

 

Guerra no governo

A demora da CCJ do Senado Federal em sabatinar André Mendonça provoca um cabo de guerra entre setores de sustentação do governo: evangélicos e o Centrão. O pastor Silas Malafaia, aliado próximo do presidente, partiu para cima dos ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil; Flávia Arruda, da Secretaria de Governo; e Fábio Faria, das Comunicações. O líder evangélico divulgou vídeo nas redes sociais no qual cobrou o trio a fazer a defesa veemente de Mendonça ao Supremo.

“É inacreditável que ministros de Bolsonaro, cujos gabinetes ficam no palácio do governo e são ministros políticos, são contra a indicação de André Mendonça para o STF”, reprovou, em tom agressivo. “Vou repetir aqui. Os ministros Ciro Nogueira, Fábio Faria e Flávia Arruda, que são políticos e ministros do palácio, são obrigados a defender a indicação do presidente Bolsonaro e a trabalhar em favor de Mendonça. Não querem? Saiam daí. Não podem estar aí”, disparou.

Vacina

Bolsonaro também defendeu no evento evangélico que a vacina contra a covid-19 não deve ser obrigatória, assim como o passaporte da vacina. "O passaporte vacinal não deve ser aceito. Cada um é dono da sua vontade e tem que ter sua liberdade garantida. Liberdade para tomar vacina ou não tomar vacina", finalizou.

 

 

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