INVESTIGAÇÃO

PF abre inquérito para investigar ameaças contra diretores da Anvisa

Órgão regulador passou a ser atacado após anunciar vacina contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos. Superintendência do Distrito Federal deve tocar a investigação

Luana Patriolino
postado em 20/12/2021 18:49 / atualizado em 20/12/2021 18:51

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar as ameaças contra a diretoria técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) feitas recentemente. A investigação será comandada pela Superintendência do Distrito Federal. O órgão passou a sofrer investidas após ter autorizado a vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

Em comunicado publicado no domingo (19/12), a Anvisa informou que seus servidores receberam inúmeras ameaças. A agência expediu ofícios pedindo, pela segunda vez, proteção policial aos seus membros. O presidente do órgão, Antonio Barra Torres, denunciou as intimidações três dias após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que divulgaria os nomes dos responsáveis pela aprovação da vacinação infantil.

Nos ofícios, os diretores da Anvisa relatam que foram "surpreendidos com publicações nas mídias sociais na 'internet' de ameaças, intimidações e ofensas por conta da referida decisão técnica". "Esses fatos aumentaram a preocupação e o receio dos Diretores e servidores quanto à sua integridade física e de suas famílias e geraram evidente apreensão de que atos de violência possam ocorrer a qualquer momento", diz o pedido de investigação.

Em resposta, o procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou “adoção de providências” para “assegurar a proteção” dos dirigentes do órgão. No entanto, até o momento, ainda não detalhou quais as ‘providências’ foram adotadas para proteger os dirigentes.

Novas ameaças

Novas ameaças chegaram na manhã desta segunda-feira (20) aos e-mails dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ao Correio, servidores do órgão relataram que receberam ameaças de agressão e intimidações por meio de mensagens e que temem pela própria vida.

“Eles dizem que não vamos viver em paz”, contou uma funcionária que preferiu não se identificar por questões de segurança. A mulher também criticou a demora das instituições acionadas para preservar a integridade dos servidores.

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