ELEIÇÕES

Mercado financeiro está de olho em eventual aliança entre Lula e Alckmin

A avaliação é de que a intenção do petista de formar uma frente ampla nas eleições, seria a indicação de uma postura menos radical

Bernardo Lima*
Tainá Andrade
postado em 22/01/2022 06:00
 (crédito:  Ricardo Stuckert/Divulgação)
(crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação)

As declarações em tom conciliador do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a eventual formação de chapa com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) para a corrida eleitoral deixaram o mercado financeiro na expectativa. A avaliação é de que a intenção do petista de formar uma frente ampla nas eleições, o que incluiria o centro, seria a indicação de uma postura menos radical.

Nesta quarta-feira (19/1) — a despeito de críticas de setores do PT contra uma aliança com o ex-tucano —, Lula foi enfático ao avalizar a eventual união. "Não terei problema algum em fazer chapa com Alckmin para ganhar e governar este país. Só não posso confirmar porque falta definir para qual partido ele vai, ver se o partido vai fazer aliança com o PT", justificou, em entrevista a sites de esquerda. O ex-presidente também argumentou que formar alianças é essencial, pois "não se governa um país sozinho" ou com a visão de apenas um partido. No dia, o dólar teve forte queda, fechando a R$ 5,50 pela primeira vez desde 16 de novembro, e a Bolsa de Valores subiu 1,26%, aos 108.013,47 pontos. Um dos motivos apontados por operadores para os desempenhos seriam as declarações de Lula.

Economista-chefe da Infinity Afset, Jason Vieira explicou que o mercado não é homogêneo, por isso, nem todos os investidores receberam a eventual chapa sem desconfiar. "Agora, ele (Lula) não vai pegar um cenário positivo. Será um fiscal muito ruim, um global muito desafiador, que não vai ter um crescimento absurdo. Se ele começar a fazer excessivas promessas pra plateia dele, matará o efeito Alckmin", avaliou. "Se chegar aqui com os investidores e falar que vai fazer as reformas e, no dia seguinte, fazer tudo ao contrário, as pessoas vão dizer: 'Para quem esse cara está falando?' Se ele começar a equilibrar, falar uma coisa para a plateia e outra coisa em conversas mais privadas, não vai funcionar. Tem de unificar o discurso."

Já o economista gestor da BlueMetrix Ativos, Renan Silva, disse ser precipitado afirmar que a reação positiva do mercado está relacionada às declarações de Lula. "Neste momento, o mercado, talvez, não esteja tão sensível a esse evento político, até porque ainda é muito cedo para apontar o que vai acontecer nas eleições em outubro", argumentou. Para Silva, os resultados positivos foram causados porque agentes do mercado estão antecipando um fluxo de investimentos, neste início de ano, com receio de uma instabilidade econômica que pode ser causada pelas eleições de outubro.

"O mercado sabe que o vice não determina a diretriz econômica do governo. Os mandatos de Lula e Dilma (Rousseff) ficaram marcados por terem uma gestão econômica pró-Estado, o que denota uma certa ineficiência para o mercado", ressaltou.

Para ele, "Alckmin sempre se elegeu com o voto conservador, mas que não vai agregar ao se unir a Lula". "É só para dizer que o extremo é Bolsonaro: 'Eu me juntei com o cara que era o meu inimigo para dizer que não estou no espectro do extremismo, então, confie em mim'. O que isso traz de prática? Acho que não está gerando a confiança que eles achavam que ia produzir", acrescentou.

*Estagiário sob supervisão de Cida Barbosa

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