Covid-19

Saúde reconhece parecer de SP que vacina não deu reação em criança

Damares e Queiroga visitaram menina que teve parada cardíaca depois de ter recebido a vacina contra a covid-19. Governo paulista já havia descartado reação ao imunizante

Gabriela Bernardes*
postado em 21/01/2022 19:11 / atualizado em 21/01/2022 22:38
 (crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)
(crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Após visita dos ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) à criança de Lençóis Paulista (SP) que sofreu uma parada cardíaca no dia que em que recebeu a primeira dose da vacina contra o covid-19, o Ministério da Saúde divulgou uma nota pontuando que o evento adverso pós-vacinação foi descartado, como confirmado por uma análise do governo de São Paulo.

A pasta lançou uma nota afirmando que havia sido notificado do caso “e acompanhou a investigação conduzida pela Secretária de Saúde de São Paulo. O parecer conclusivo, já divulgado pelo estado, foi que não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação foi descartado”. No entanto, apesar de destacar em seu posicionamento que "o evento adverso-pós vacinação foi descartado", o ministério afirma que a constatação não é da própria pasta, mas sim do órgão paulista. "Quem confirmou foi a SES/SP [Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo]".

A investigação do caso foi conduzida de forma conjunta pela Divisão de Imunização do estado e pelos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e de Bauru, além do município de Lençóis Paulista. A menina de 10 anos recebeu o imunizante da Pfizer como indicado para sua faixa etária. Horas depois, a criança passou a apresentar sintomas que evoluíram para uma parada cardiorrespiratória. Segundo a investigação, houve um curto intervalo entre a imunização e o início dos sintomas, que não sustentaria a hipótese de uma miocardite desencadeada pela vacinação,

A visita dos ministros a Botucatu, cidade onde a criança está hospitalizada, foi alvo de críticas nas redes sociais. O presidente Jair Bolsonaro (PL) também chegou a telefonar para a família. Para os internautas, a movimentação foi uma tentativa de explorar politicamente o episódio. Opositores do Governo relembraram que nenhum dos ministros visitou famílias de crianças que foram mortas pelo coronavírus.


“Foram fazer campanha política antivacina. São pessoas sem alma, incapazes de amor ao próximo. Torcem pela morte para questionar a ciência", escreveu o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), no Twitter.

Após a visita, Damares publicou, em uma rede social, que que teve encontro com a criança "hospitalizada após suspeita de parada cardíaca no mesmo dia em que recebeu a vacina contra Covid". A publicação da ministra ignorou que a relação com a vacina já estava descartada, mesmo depois de o governo paulista ter concluído que a reação estava ligada à uma doença congênita rara da paciente.

“Se eles só passassem vergonha, tava de bom tamanho, já que é rotina pra eles! Mas criar Fake News sobre vacina continua sendo uma crueldade sem tamanho, custa vidas! As hospitalizações e as mortes por COVID-19 ainda não acabaram por culpa desse Governo”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues, se referindo à postagem de Damares.

*Estagiária sob supervisão de Pedro Grigori

 

 

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