Entrevista

Juliano Medeiros: a prioridade do Psol é derrotar Bolsonaro

Presidente nacional do partido afirmou que é necessária uma união da esquerda para as eleições de 2022

*Gabriela Chabalgoity Raphel Felice
postado em 28/01/2022 18:55 / atualizado em 28/01/2022 18:57
 (crédito:   Samuel Calado/CB/D.A Press)
(crédito: Samuel Calado/CB/D.A Press)

Em entrevista ao Correio Braziliense, nesta sexta-feira (28/1), o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou que o partido tem consciência de que sozinho não consegue derrubar o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). “Por isso, é importante o papel de uma unidade entre os partidos de esquerda. Sabemos que hoje, isso é difícil, principalmente pela posição do Partido Democrático Trabalhista (PDT), com a candidatura do Ciro, oposta a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas vamos trabalhar para isso”, disse.

Sobre o apoio aos presidenciáveis, Juliano Medeiros ainda não confirmou o apoio ao presidente Lula, mas que enxerga que é necessária uma união de forças para vencer o projeto bolsonarista. “É nesse contexto que a gente debate o apoio a Lula. É claro que vamos negociar também, Vamos debater o programa, o vice”, explicou.

O debate acerca do vice de Lula é uma das pautas debatidas dentro partido em relação ao apoio ao ex-presidente. “Nós somos críticos a opção de ter Geraldo Alckmin (PSD) como vice. Muita gente no PT compara o Alencar com o Alckmin. Alencar era um nacionalista, empresário, um sujeito de centro. Alckmin defendeu toda a agenda neoliberal do governo Temer, defendeu a reforma trabalhista, defendeu os crimes cometidos pela Operação Lava Jato. Eu acredito que o Alckmin está muito mais para Temer do que para José Alencar”, declarou.

Além disso, Juliano esclareceu que se a plataforma da candidatura do Lula for de esquerda, e, mesmo assim, Alckmin aceitar, é uma contradição. “Se a entrada do Alckmin significar um rebaixamento programático, é um erro com grandes proporções. Neste momento a esquerda não pode abrir mão das suas bandeiras”, informou.

Ele explicou, ainda, que a terceira via esbarra em dificuldades porque, de um lado, “você tem o presidente da República que encarnou parte do descontentamento político em 2018 e que se tornou o grande nome da extrema direita latino americana. De outro lado, você tem o ex-presidente que promoveu mudanças importantes e foi vítima de um processo de perseguição jurídico-política, o que me leva a acreditar que é possível ele não só ir para o segundo turno, como vencer as eleições”, declarou.

*Estagiária sob supervisão de Pedro Grigori

 




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