eleições

Sob comando de Kassab, PSD busca bancada forte nas eleições 2022

Kassab busca um nome para lançar à corrida presidencial, puxar votos e aumentar o número de deputados e senadores

Ana Maria Campos
Tainá Andrade
postado em 31/03/2022 06:00
 (crédito: Pedro Cardoso/Divulgação)
(crédito: Pedro Cardoso/Divulgação)

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, está há meses em conversas públicas e de bastidores para a construção de uma candidatura própria à Presidência da República. Apostou no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e chegou a lançar o mineiro com ar de JK. Não emplacou, até por falta de disposição do próprio parlamentar.

Depois veio o plano B: tentou atrair o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Mas o gaúcho não quis deixar o PSDB. Kassab, porém, não desistiu. Pensa em uma candidatura ao Palácio do Planalto, na terceira via, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) com um nome dentro do PSD. Todas essas articulações, no entanto, têm um objetivo: Kassab quer mesmo um puxador de votos para eleger uma boa bancada no Congresso.

Um bom número de deputados significa poder, recursos dos fundos eleitoral e partidário, tempo de televisão para a próxima eleição e votos capazes de desequilibrar discussões no Congresso. É o poder pelo Legislativo. Antes da janela partidária, o PSD tinha 58 deputados federais e 11 senadores. O objetivo de Kassab é ampliar o poderio.

De passagem por Brasília, ontem, ele participou do ato de filiação de 102 novos integrantes do PSD. São apostas para deputados federais, como André Kubitschek Pereira, neto de JK e filho caçula do presidente regional do partido, Paulo Octavio, ou o ex-presidente da Câmara Legislativa Alírio Neto. No evento, Kassab surpreendeu ao lançar Paulo Octávio ao Senado. "Aceito o desafio", afirmou o empresário, que já foi deputado federal, senador e vice-governador pelo DF.

Plano C

Se não conseguir lançar um plano C, Kassab, segundo interlocutores, pode liberar o PSD nos estados a escolher o candidato ao governo e à Presidência que melhor se adeque ao plano de sucesso eleitoral para a eleição de bancadas. Mas não é o que Kassab quer.

Ele apostou com otimismo em Pacheco. Chegou a levá-lo para conversar com representantes do empresariado, analistas políticos e banqueiros amigos. Mas o presidente do Senado nunca adotou o perfil de presidenciável com agressividade para assumir o espaço da terceira via.

Segundo interlocutores de Kassab, ele não vai desistir de buscar um nome para enfrentar Lula, Bolsonaro e os demais pré-candidatos — como Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Sérgio Moro (Podemos), João Doria (PSDB) e Luiz Felipe D'Ávila (Novo). Mas essa missão está cada vez mais difícil.

Pré-candidato pode vir de dentro do partido

Depois das tentativas mal-sucedidas de lançar um pré-candidato do partido à corrida presidencial, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, se volta agora para dentro do partido em busca de nome para disputar o Palácio do Planalto em outubro. No evento de filiação à legenda, ontem, em Brasília, ele confirmou que as discussões internas em busca de um presidenciável continuarão na semana que vem.

Kassab estaria pensando em alguém entre os governadores ou senadores da legenda que não pretendem concorrer à reeleição para os postos que ocupam atualmente. Um dos nomes especulados para se colocado na disputa é o do senador e tesoureiro do partido, Nelsinho Trad (MS).

Nos bastidores do PSD, é unânime a opinião de que, em função do tempo, Kassab terá que tirar um coelho da cartola para manter a candidatura própria. Essa necessidade é porque ele pretende manter o partido unido no primeiro turno, deixando para liberar os filiados no segundo turno presidencial — isso se o nome da legenda não passar à disputa decisiva.

A estratégia de Kassab passa por não se indispor com suas bases estaduais, que têm aliados de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Por causa disso, ele procura enfatizar que não há chances de fechar apoio ao petista Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno.

"Vamos defender o nosso candidato. Se não der certo em um segundo turno, pensamos sobre quem apoiar", avaliou.

Minas

A liberdade dada por Kassab para a formação de coligações estaduais colocará o PSD ao lado de bolsonaristas e de petistas. Em Minas, o ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo, Alexandre Kalil (PSD), convidou o presidente da Assembleia Legislativa do estado, deputado Agostinho Patrus (PV), para ser vice na chapa.

O nome do deputado já havia sido cogitado, mas ganhou força por representar uma solução ao impasse na formação de aliança com o PT, que defende a vaga ao Senado na coligação. Como os petistas avançaram na federação com PV e PCdoB, a vice pertenceria à composição.

A negociação entre PT e PSD na disputa em Minas tem como impasse a cadeira do Senado na chapa majoritária. Enquanto ala petista defende a candidatura de Kalil ao governo com a indicação do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) na disputa pelo Congresso, o PSD apoia a reeleição do senador Alexandre Silveira. (Com Agência Estado)

CONTINUE LENDO SOBRE