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Tebet descarta posto de vice em coligação com PSDB, Cidadania e União

Pré-candidata ao Planalto pelo MDB, senadora rejeita o eventual papel de vice caso não seja a cabeça de chapa da coligação com PSDB, Cidadania e União Brasil

Taísa Medeiros
Deborah Hana Cardoso
Victor Correia
postado em 19/04/2022 05:57 / atualizado em 19/04/2022 05:57
 (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)
(crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Pré-candidata ao Planalto, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) rejeitou, ontem, a possibilidade de participar da corrida eleitoral como vice e minimizou as críticas que sua indicação tem recebido por caciques da legenda. Na avaliação da parlamentar, o partido "vai entrar em uma fragmentação" caso apoie o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o presidente Jair Bolsonaro (PL), em detrimento de candidatura própria.

"Não sou candidata à vice-presidência. Ao abrir mão da pré-candidatura e aceitar o papel de vice, eu estaria diminuindo o espaço das mulheres na política. Se eu não pontuar a ponto de ser cabeça de chapa, não vou ajudar sendo vice. Vou estar nesse palanque como cabo eleitoral", afirmou Tebet, em sabatina organizada pela Folha de S.Paulo.

Nos bastidores do MDB, uma das opções discutidas para a candidatura do autoproclamado centro democrático — formado por União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania — é uma chapa encabeçada pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) — passando por cima do ex-gestor paulista João Doria, atual pré-candidato tucano —, com Tebet como vice.

A senadora, porém, refuta essa possibilidade, reforça que as discussões ainda estão em andamento e que os nomes que integrarão a chapa única só serão anunciados em 18 de maio. "Antes disso, nada pode ser feito e nada pode ser cobrado", acrescentou.

Parte do MDB teme que a candidatura de Tebet repita o fiasco do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles em 2018. Ele obteve apenas 1,2% dos votos para o Planalto. Questionada a respeito dessa preocupação, Tebet defendeu que, ao contrário de Meirelles, não é candidata "por si própria" e que foi chamada pelo partido para entrar na disputa.

Em relação à Lava-Jato, Tebet ficou em cima do muro. Disse que a operação expôs muitos casos de corrupção, mas mencionou ter havido erros de conduta dos envolvidos nas investigações. "Não tenho dúvida nenhuma disso (resultados contra a corrupção). Tenho um bom relacionamento com (Sergio) Moro, e quero acreditar que houve boa-fé, mas, aí, tem de perguntar para ele, para os membros do Ministério Público, do Judiciário, para ver se houve má-fé ou boa-fé", afirmou.

Flexibilidade

Rodolffo Tamanaha, professor de ciências políticas do Ibmec Brasília avalia que não há um racha no MDB e, sim, um movimento de articulação. "Esse movimento faz com que não estejam limitados a decisão única do ponto de vista federal, exatamente para que tenham uma flexibilidade local de poder se associar seja a Bolsonaro, seja a Lula", frisou. "Mas, obviamente, isso enfraquece a candidata Simone Tebet."

O cientista político Leandro Gabiati observou que, ao contrário de outros partidos, o MDB não tem uma liderança nacional, como a figura de Lula no PT. Essa característica torna a lógica de alinhamento diferente na legenda. "Funciona mais com uma lógica de federações, grupos no partido que têm autonomia própria, por assim dizer. Em cada estado, basicamente, há um cacique, um grupo político que domina o partido e que se posiciona dentro do diretório nacional com base nas dinâmicas locais. Essa é a dinâmica que tem tomado conta do MDB desde a redemocratização", comentou.

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