DEMOCRACIA

Ministro Barroso diz que democracia passa por "processo de erosão"

Em evento na Bahia, ministro citou países com governos autoritários e afirmou que democracia brasileira tem "bom filme"

Luana Patriolino
postado em 13/05/2022 19:05 / atualizado em 13/05/2022 19:06
 (crédito: Carlos Moura/ SCO/STF)
(crédito: Carlos Moura/ SCO/STF)

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrou preocupação com a democracia brasileira. Durante discurso no Congresso Brasileiro de Magistrados, em Salvador, Bahia, na tarde desta sexta-feira (13/5), o magistrado afirmou que a democracia passa por um “processo de erosão por todo o mundo” e disse que é preciso trabalhar para restabelecê-la.

Barroso citou países como Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua e El Salvador como governos autoritários, além das "turbulências" recentes nos Estados Unidos e no Reino Unido. Sem citar o Brasil ou o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL), ele ainda afirmou que é necessário uma autocrítica de democratas para um restabelecimento do sistema ao redor do mundo.

"Essa ascensão de um processo autoritário e populista se dá por insuficiências da própria democracia. Por isso os que defendem a democracia precisam identificar e trabalhar para restabelecer essa crença que une a todos", disse.

No evento, o ministro ainda afirmou que “o filme da democracia brasileira é bom”, mas disse também que iria evitar entrar em polêmicas.

"Temos que restabelecer o mínimo de honestidade intelectual, o mínimo de honestidade aos fatos. O filme da democracia brasileira é bom. Às vezes a fotografia é assustadora, mas o filme é bom. Eu tive cuidado de não dizer nada polêmico aqui porque os tempos não estão para polêmica”.

“Tem uma música de Paulinho da Viola (chamada Argumento) que diz que em tempo de nevoeiro, velho marinheiro leva o barco devagar. Não devemos nos deixar impressionar pela fotografia do momento. E é uma fotografia mundial, mas o filme é bom. Sei que vivemos um país difícil, mas isso não desfaz tudo o que aconteceu até aqui", concluiu Barroso.

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