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Sabatina do Correio: o futuro do país nos planos dos presidenciáveis

Em sabatina promovida pelo Correio, pré-candidatos à Presidência mostram o que pensam e o que pretendem para o Brasil

Vinicius Doria
postado em 01/06/2022 05:51 / atualizado em 01/06/2022 05:52
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

O Brasil tem saída. E gente disposta a liderar as mudanças necessárias para tirar o país de uma das piores crises de sua história recente. Essa foi a tônica da sabatina organizada pelo Correio com a maioria dos nomes lançados à corrida pela Presidência da República. Ao longo de todo o dia de terça-feira (31/5), com transmissão pelas redes sociais, os pré-candidatos apresentaram suas propostas de governo, fizeram críticas aos adversários e mostraram ao eleitor o que pensam e o que pretendem fazer a partir de 2023, se eleitos. Nem todos compareceram: o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, preferiu andar de moto com apoiadores no interior de Goiás. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, também faltaram à sabatina.

A economia dominou as entrevistas, que contaram com a participação do time de jornalistas do Correio e de internautas, que puderam enviar perguntas em tempo real. Da estatização total das maiores empresas privadas do país até a privatização de todas as estatais, o debate foi um retrato da visão de país que os pré-candidatos tentam compartilhar com os eleitores.

Todos apresentaram propostas para enfrentar a alta dos preços de combustíveis e alimentos, derrubar a inflação, reduzir as desigualdades e recolocar o país no trilho do desenvolvimento. Uma nova forma de fazer política, mais inclusiva, com reformas e atitudes que alterem o atual sistema representativo e dê mais visibilidade aos diferentes brasis que coabitam este solo, também foi cobrada pelos pré-candidatos.

Sem Bolsonaro, que, por sorteio, abriria a maratona de sabatinas, a primeira entrevistada foi a pré-candidata do PSTU, Vera Lúcia, representante de uma das legendas de extrema-esquerda que tem tradição de participar de eleições. "É uma campanha (feita) de maneira muito desigual", queixou-se ela. Sua proposta mais polêmica a aproximou da direita radical, que é a liberação das armas de fogo para a população em geral.

Na sequência, o candidato do PDT, Ciro Gomes, criticou severamente Bolsonaro e Lula e disse que, se o governo atual privatizar a Eletrobras, "eu tomo de volta, sem conversa".

O pré-candidato do partido Novo, Felipe D'Avila, disse ter esperança na vitória de um candidato fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Também explicou por que o partido dele se afastou da terceira via e apontou a crise econômica como o maior desafio do futuro presidente. "A questão mais importante é discutir recessão econômica, desemprego, aumento da miséria."

Revogação

A candidata do PCB à Presidência, Sofia Manzano, apresentou um programa com propostas "factíveis de serem implementadas", na opinião dela. A primeira, revogar todas as reformas constitucionais feitas desde o governo Fernando Henrique Cardoso até agora.

O candidato do Pros, Pablo Marçal, se mostrou favorável à privatização da Petrobras de forma fatiada, mas não necessariamente para investidores externos. "Não precisa vender para o capital estrangeiro, mas precisamos quebrar esse monopólio", ressaltou.

Fechando a série de sabatinas, a senadora do MDB Simone Tebet defendeu a viabilidade da terceira via; a prioridade na retomada do desenvolvimento, com inclusão social e qualificação da mão de obra; e a importância da participação feminina nas instâncias decisórias do país. "A mulher nunca foi estimulada em pé de igualdade para fazer política", criticou.

Debate democrático de ideias

Espaço aberto aos principais presidenciáveis para que apresentassem seus projetos para o país, a sabatina promovida pelo Correio foi elogiada pelos pré-candidatos. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) agradeceu a oportunidade de "falar com esse tradicionalíssimo órgão da imprensa brasileira". "É um heroico resistente dos nossos Diários Associados. Tem uma tradição de promover debate democrático, a boa informação, desde seu nascedouro até a presente geração", frisou.

Pré-candidata do MDB, a senadora Simone Tebet (MS) destacou que a sabatina abriu espaço "para a democracia brasileira, porque a democracia se faz com transparência, se faz com debate de ideias e de propostas". Na avaliação da parlamentar, esse tipo de ocasião permite aos brasileiros conhecerem os candidatos ao governo federal e, com isso, exercerem o "dever sagrado" do voto. "Eu só tenho a agradecer imensamente a oportunidade que vocês me dão", afirmou.

Influenciador digital, com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, o pré-candidato à Presidência pelo Pros, Pablo Marçal, parabenizou o jornal por "atravessar tanto tempo e continuar em alta" e criticou a ausência na sabatina do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL). "É uma falta de respeito nenhum dos dois estarem aqui em um evento tão brilhante. Qual é o medo deles?", questionou.

A economista Sofia Manzano, pré-candidata pelo PCB, também destacou o caráter democrático do debate. "O Correio Braziliense é o primeiro grande jornal do país que nos convida, ante aos outros grandes paladinos da democracia que sequer permitem a nossa participação para que possamos levar para o restante da população nosso programa", destacou.

Pré-candidata pelo PSTU, a socióloga Vera Lúcia ressaltou que a sabatina foi uma "oportunidade muito importante" para o partido e "para o polo socialista revolucionário".

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