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Governistas miram Bolsonaro na CPMI dos atos golpistas

Parlamentares da base vão pedir acesso aos inquéritos que tramitam no TSE e no STF contra o ex-presidente e cogitam convocá-lo na reta final das investigações

O ex-presidente Jair Bolsonaro vai ser o principal foco dos governistas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas de 8 de janeiro. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que os parlamentares aliados da gestão Lula vão solicitar acesso aos inquéritos que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) que incluem o ex-chefe do Executivo. Questionado pelo Correio sobre uma eventual convocação, o parlamentar ressaltou que o político do PL "deve ser ouvido mais para o final (das apurações)".

Correia integra a CPMI, instalada nesta quinta-feira. A comissão é a mais esperada entre as investigações abertas pelos parlamentares e será palco para o embate entre governo e oposição em torno da depredação dos prédios dos Três Poderes, dos acampamentos antidemocráticos em frente a quartéis e da tentativa de golpe orquestrada por aliados de Bolsonaro.

A primeira sessão elegeu como presidente o deputado Arthur Maia (União-BA). A relatoria ficou com a senadora Eliziane Gama (PSD-MA). Os senadores Cid Gomes (PDT-CE) e Magno Malta (PL-ES) são, respectivamente, 1º e 2º vice-presidentes.

Na reunião, Eliziane Gama firmou o posicionamento da base governista nas apurações. "Houve uma tentativa de golpe, mas não conseguiram o golpe. E um fato é claro: todos aqui somos contra o que aconteceu. Queremos garantir ao Brasil a democracia cada vez mais forte, cada vez mais firme", enfatizou.

Arthur Maia, por sua vez, ressaltou: "Sabemos que há uma narrativa de que tudo que aconteceu está envolvido numa orquestração maior de um possível golpe para interromper a democracia no Brasil. Isso tem que ser investigado, não pode passar em branco".

Em conversa com jornalistas ao fim da sessão, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), destacou que os aliados do Executivo querem demonstrar como os atos foram, na verdade, o ápice de crescentes ofensivas golpistas.

"O governo foi vítima, assim como a democracia e a República foram vítimas do processo golpista, inaugurado no dia 30 de outubro de 2022, com o não reconhecimento do resultado das eleições por parte dos derrotados, e culminou com a tentativa de golpe", argumentou. Segundo ele, o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, estará entre os primeiros convocados para depor, assim como o ex-ajudante de ordens do ex-presidente, Mauro Cid. Questionados, nem Randolfe nem Eliziane descartaram que Bolsonaro seja chamado, mas evitaram pessoalizar as investigações.

Oposição

Já a oposição nega a tentativa de golpe e acusa o Executivo de omissão nos ataques antidemocráticos. Magno Malta, inclusive, reclamou do tratamento dado aos presos pelas depredações. "Um povo que está com a tacha de terrorista, sem nunca ter sido. Houve atos de vandalismo, sim. Identifiquemos os vândalos. Ninguém mais do que eu esteve nos presídios, e tem pessoas dignas, honradas. Queremos esclarecer isso", afirmou o senador.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a sugerir que haviam "infiltrados" nos atos terroristas e disse ser preciso apurar prisões arbitrárias e violações dos direitos humanos dos detidos. Até o momento, o Ministério dos Direitos Humanos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras entidades que visitaram os presídios, não constataram violações.

"Será que seriam capazes de fazer tudo isso que um terrorista fez? Essa banalização não é conveniente a ninguém. A internet hoje está no clima onde quem discorda de mim é nazista, banalizando o nazismo", sustentou o filho do ex-presidente.

O governo, no entanto, tem estratégia traçada para enfrentar esse argumento. "Não temos medo de fake news e versões. As versões nós responderemos com os fatos, as mentiras e fake news responderemos com a verdade, porque a verdade está do nosso lado", destacou Randolfe. "Por isso que estamos nesta CPMI com a tranquilidade necessária."