atos antidemocráticos

PF quebra senhas dos celulares do advogado de Bolsonaro

Responsável pelo "resgate" do relógio de luxo dado ao ex-presidente pelos sauditas, Frederick Wassef não forneceu aos agentes os códigos de acesso aos aparelhos. Federais, agora, poderão saber o que ele tratava

Advogado não deu códigos dos aparelhos apreendidos pelos agentes -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Advogado não deu códigos dos aparelhos apreendidos pelos agentes - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Ândrea Malcher
postado em 22/08/2023 03:55 / atualizado em 22/08/2023 15:12

A Polícia Federal (PF) quebrou as senhas dos quatro celulares de Frederick Wassef, um dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendidos na quarta-feira — o que possibilita o acesso às mensagens trocadas por ele nos aparelhos. Wassef não forneceu nenhuma das senhas ao entregar os celulares.

O advogado levava dois celulares e os outros dois foram encontrados no carro que dirigia — um veículo sem placa, que, aliás, estava parado em uma vaga para deficientes no estacionamento da churrascaria Barbacoa, no bairro paulistano do Morumbi, onde os agentes da PF o abordaram. Cumpriam um mandado de busca e apreensão contra Wassef e apreenderam, ainda, um carregador de pistola com munição.

A PF apreendeu os aparelhos após o advogado admitir que recomprou, nos Estados Unidos, um relógio Rolex que havia sido presenteado ao ex-presidente e vendido pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A atuação de Wassef foi no sentido de cumprir a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que Bolsonaro devolvesse alguns dos presentes que ganhou durante o mandato.

Inicialmente, Wassef negou que tenha feito parte de uma operação para resgatar o Rolex, que tinha sido vendido por Cid à Precision Watches, uma joalheria no estado norte-americano da Pensilvânia. Mas, diante da fartura de provas, teve de se desdizer.

"Comprei o relógio. A decisão foi minha. Usei meus recursos, tenho a origem lícita e legal dos meus recursos. Tenho conta aberta nos Estados Unidos, em um banco em Miami, e usei do meu dinheiro para pagar o relógio. Então, o meu objetivo quando comprei era exatamente para devolver à União, ao governo federal do Brasil, à Presidência da República", justificou Wassef, na terça-feira passada.

O advogado é um dos investigados por envolvimento no esquema de negociação de presentes da Presidência. Os itens teriam sido dados a Bolsonaro durante uma visita oficial à Arábia Saudita.


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