oriente médio

Israel se decepciona com apoio do Brasil à ação sul-africana em Haia

Embaixador Daniel Zonshine lamenta que governo Lula dê respaldo à representação do parceiro de BRICS na Corte Internacional de Justiça, que acusa os israelenses de promoverem genocídio em Gaza

Daniel Zonshine, embaixador de Israel no Brasil -  (crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Daniel Zonshine, embaixador de Israel no Brasil - (crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
postado em 12/01/2024 03:55

O embaixador israelense no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, criticou a posição brasileira de apoiar a representação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ) contra Israel e acusar o país de crime de genocídio contra a população palestina, na guerra contra o Hamas, na Faixa de Gaza. O diplomata, mesmo com o histórico de declarações controversas, foi cauteloso ao tratar da posição brasileira.

"Não posso dizer que estamos surpresos. O país já se posicionou diversas vezes, no passado, mas não achamos que essa era a coisa certa a se dizer sobre a questão", lamentou Zonshine.

Pouco antes, a representação israelense divulgou nota na qual criticava a África do Sul pela representação à CIJ — que começou a ser julgada ontem, em Haia, na Holanda — e classificava o país como "braço legal do Hamas". "A África do Sul, que funciona como o braço legal da organização terrorista Hamas, distorceu totalmente a realidade em Gaza, após o massacre de 7 de outubro, e ignorou completamente o fato de que os terroristas se infiltraram, assassinaram, executaram, massacraram, violaram e raptaram cidadãos israelenses simplesmente porque eram israelenses", frisou.

Zonshine mais uma vez acusou o Hamas de tentar causar um genocídio de israelenses. "Não concordamos com essas alegações legais (da África do Sul), pois são erradas. Então, naturalmente, não concordamos com o apoio à petição, absolutamente inaceitável para nós. Se alguém tentou fazer um genocídio, foi o Hamas", disse.

Ao contrário de Zonshine, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) adotou um tom incisivo, pelo qual aponta que a decisão do governo "diverge da posição de equilíbrio e moderação da política externa brasileira". "É frustrante ver o governo brasileiro apoiar uma ação cínica e perversa como essa", criticou.

Acerto

Para o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, o apoio brasileiro a representação sul-africana "é fundamental". "Historicamente, o Brasil procura apoiar-se no justo e no legal. A posição do senhor presidente é consequente e alinhada com essa posição histórica", disse, ao Correio.

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, também saiu em defesa da posição brasileira e reproduziu um trecho da nota do Ministério das Relações Exteriores (MRE). "O governo brasileiro reitera a defesa da solução de dois Estados, com um Estado Palestino economicamente viável convivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital".

Cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas no território israelense pelo Hamas. Os terroristas fizeram cerca de 250 reféns, dos quais 110 foram libertados. Em 95 dias de guerra, 23.357 pessoas morreram em Gaza, 70% delas mulheres e crianças. Há 59.410 feridos e 1,9 milhão de pessoas precisaram se deslocar forçadamente, fugindo do confronto. (Colaborou Rodrigo Craveiro)

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