Repercussão

Associação de diplomatas "repudia" reunião golpista comandada por Bolsonaro

No encontro, em julho de 2022, três diplomatas — dois embaixadores e um conselheiro — estavam na sala; hoje, eles ocupam cargos no governo Lula

Na abertura do encontro, resgistrado em vídeo, é possível visualizar os representantes do Itamaraty, que seguem no curso normal de suas carreiras e foram nomeados para funções no governo petista -  (crédito: Reprodução/STF)
Na abertura do encontro, resgistrado em vídeo, é possível visualizar os representantes do Itamaraty, que seguem no curso normal de suas carreiras e foram nomeados para funções no governo petista - (crédito: Reprodução/STF)
postado em 15/02/2024 16:48 / atualizado em 15/02/2024 16:48

A Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB/Sindical) se posicionou sobre a reunião golpista comandada por Jair Bolsonaro, em julho de 2022, a três meses das eleições. Sem citar os três diplomatas — dois embaixadores e um conselheiro — que estavam no encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto, a entidade afirma "repudiar" movimentos que subvertam o Estado Democrático. A presença dos três representantes do Ministério das Relações Exteriores foi revelada ontem pelo Correio.

"A Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB/Sindical) vem a público reafirmar seu repúdio a movimentos destinados a subverter a ordem democrática e os princípios do Estado de Direito", diz nota.

A ADB/Sindical informou ainda que "acompanha a investigação e a apuração de possível utilização de estruturas de Estado para o planejamento de atos antidemocráticos, em cumprimento aos preceitos constitucionais e observado o devido processo legal". A operação é feita pela Polícia Federal e foi corroborada pela Procuradoria-Geral da República e pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os três diplomatas foram nomeados para funções no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na abertura do encontro golpista, é possível visualizar os representantes do Ministério das Relações Exteriores, que seguem no curso normal de suas carreiras.

Na reunião de 5 de julho de 2022, o embaixador Fernando Simas Magalhães, então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, estava na mesa principal. Ele representava o chanceler Carlos França, que estava fora do país. Simas foi designado embaixador do Brasil em Haia pelo atual governo, mas não usou a palavra no encontro.

Também acompanhou a reunião o embaixador André Chermont de Lima, que era o chefe do cerimonial da Presidência. No vídeo, ele aparece em pé num dos cantos da sala. Bolsonaro faz uma citação a seu nome ao anunciar que chamaria os embaixadores para um encontro e falaria sobre o sistema eleitoral do país, que aconteceu 13 dias depois. “Já acertei com o Chermont para falar com o (ministro) França. Na quinta-feira eu vou reunir os embaixadores no Alvorada.”

Esse evento, com os embaixadores, foi a razão de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenar Bolsonaro inelegível por oito anos, julgamento que ocorreu em junho de 2023. No governo Lula, Chermont assumiu o posto de cônsul-geral em Tóquio, no Japão.

O terceiro nome do Itamaraty presente na reunião de julho de 2022 é o do conselheiro Comarci Nunes. Estava sentado numa das laterais da sala. Na época, Comarci era o primeiro-secretário do ministério e acompanhava Fernando Simas no encontro. O conselheiro está lotado hoje na área de imprensa do ministério.

A reportagem questionou o Itamaraty se foi adotada alguma medida após a revelação de que os três participaram da reunião ou se buscou informações sobre as presença dos diplomatas naquela reunião, mas não obteve resposta. O espaço segue em aberto para qualquer manifestação.

Comarci Nunes informou que era o primeiro-secretário e que apenas acompanhou Fernando Simas porque era seu assessor.

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