Congresso

Jorge Messias intensifica articulação no Senado

Indicado do presidente Lula ao STF evita comentar atuação direta do governo

O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) para assumir a cadeira na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou seu corpo a corpo no Senado. Ele continua evitando dar declarações e continua mantendo o mesmo discurso de que o Senado é a sua segunda casa. Hoje, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga o rombo bilionário de aposentados e pensionistas vota o requerimento de convocação de Messias para prestar esclarecimentos.

Ao chegar ao Congresso para mais uma rodada de visitas, ele falou rapidamente, afirmando que está empenhado em buscar o apoio de todos os senadores que o receber, antecipando que conversaria com Sérgio Petecão (PSD-AC) e com a senadora Eliziane Gama (PSD-MA). "Eu estou trabalhando, estou trabalhando. Com quem me receber, eu estou aqui trabalhando." 

Messias afirmou estar otimista para sabatina e que pretende conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). "Eu estou querendo falar com ele e no momento certo ele irá me atender. Estou trabalhando", disse. 

Questionado se o presidente Lula vai entrar na articulação, ele desconversou e disse "acho que é importante perguntar ao Palácio essa questão", respondeu, sorrindo. Ele voltou a reafirmar que transita bem no Congresso e que se sente acolhido. "Eu trabalhei muito tempo no Senado, é a minha segunda casa. Aqui me sinto acolhido", afirmou. 

 Sobre quantos senadores já visitou, Messias desconversou e disse que muitos, mas que não poderia informar a quantidade, por estar sem agenda. Também destacou que estão conversas estão fluindo bem. “As conversas são muito boas, muito fluidas”. Em relação à emendas, afirmou que não interfere em pautas legislativas. “A minha posição sobre emenda é pública e está nos autos”, finalizou, seguindo para o gabinete de Petecão, onde permaneceu por cerca de 50 minutos. Na saída, apenas disse que a reunião “foi excelente e que está tudo indo bem”.  Messias cumpriu a agenda, encontrando a senadora Eliziane.

Alencar nega articulação

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que recebeu Messias, em seu gabinete, na última terça, mas negou qualquer articulação a favor do advogado. O senador evitou dar detalhes do encontro e se resumiu a dizer que “ele me ligou, perguntou se eu poderia recebê-lo e eu o atendi. Não me pergunte o que é que vai acontecer. Pelo amor de Deus, o pessoal me pergunta o que é que vai acontecer, mas eu não posso prever o futuro”, disse.  Segundo Alencar, os encontros fazem parte de uma agenda normal do indicado com os parlamentares.

O presidente da CCJ garantiu que não tem conversando com outros senadores para articular votos. “Eu não peço voto e nem pergunto em quem vão votar. Aqui no Senado, não me cabe essa posição, isso cabe ao indicado”, ressaltando que o voto é secreto. “Meu voto é meu. Eu nunca pedi voto. Eu não admito um cara vir me perguntar como é que eu vou votar”. O senador garantiu não estar mantendo diálogo algum com o governo. “O governo não falou, ninguém falou comigo”, garantiu. 

Alencar revelou que Alcolumbre pretendia marcar a sabatina para o dia 3 dezembro, mas concordou em ampliar o prazo. “Ele pediu para ser no dia 3 e eu disse a ele não dá. Vamos por uns 15 dias”, relatou o senador, que reforçou que a necessidade do prazo deveria ser a mesma dada para os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambos do STF. “Foi o mesmo tempo do Zanin, o mesmo tempo do Dino”.

Cauteloso, o senador não quis entrar em detalhes se o cronograma pensando por Alcolumbre poderia prejudicar Jorge Messias. Ele, defendeu que era preciso um prazo mínimo para se cumprir o “rito adequado”. Ele também não deu garantias de que a sabatina aconteça realmente no dia 10 de dezembro, como anunciado.

 



Mais Lidas