Outro ponto que chama a atenção é a atuação política do entorno de Daniel Vorcaro. Fabiano Campos Zettel foi o principal doador individual das campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele doou R$ 2 milhões à campanha vencedora ao governo de São Paulo e R$ 3 milhões à tentativa frustrada de reeleição do então presidente da República. Os valores só ficam abaixo das quantias repassadas pelos próprios partidos por meio do fundo eleitoral.
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Zettel, que é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro dono do Master, foi detido pelos agentes da PF, na madrugada de ontem, quando tentava embarcar para Dubai.
Procurada pelo Correio, a assessoria do governador Tarcísio de Freitas afirmou, em nota, que a campanha contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em conformidade com a legislação eleitoral. Segundo o comunicado, o governador não mantém vínculo com o doador citado nem tinha conhecimento prévio de condutas alheias à campanha, ressaltando que as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
CPI municipal
No campo político, o caso também começa a gerar desdobramentos. A Câmara Municipal de São Paulo pode instaurar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar irregularidades relacionadas ao Banco Master. O requerimento foi protocolado pela vereadora Amanda Vettorazzo (União-SP), que defende a investigação de eventuais impactos do escândalo financeiro sobre investidores, clientes e a ordem econômica da capital paulista.
Segundo a parlamentar, há indícios relevantes de interesse público que justificam a abertura da investigação parlamentar. "A Câmara Municipal tem o dever de investigar fatos graves que podem ter afetado diretamente a cidade de São Paulo, assegurando transparência, responsabilização e a defesa do interesse público. Os indícios são escandalosos e exigem uma resposta à altura", afirmou. O pedido prevê a convocação de testemunhas, requisição de documentos e a elaboração de um relatório com encaminhamentos aos órgãos competentes.
Paralelamente, o Movimento Brasil Livre (MBL) convocou manifestações para 22 de janeiro. Segundo a assessoria do grupo, o ato tem como objetivo expressar a insatisfação da sociedade diante do caso e exigir apuração rigorosa das irregularidades.
