A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, declarou nesta quinta-feira (15/1) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não descartou criar o Ministério da Segurança Pública ainda neste ano, apesar da nomeação de Wellington Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
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De acordo com Gleisi, a divisão da pasta depende da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança pelo Congresso Nacional, que será uma das prioridades da base governista.
“O presidente Lula tem falado que, uma vez aprovada a PEC, e a gente também podendo, junto com o Congresso, acertar as fontes de financiamento de um programa de segurança pública nacional, ele vai criar um ministério”, disse Gleisi em entrevista à CNN.
“Isso tudo depende do tempo. Se o Congresso deixar para aprovar no segundo semestre, fica muito difícil (criar a nova pasta). Não está descartado”, acrescentou.
Gleisi destacou que o Executivo esperava aprovar a PEC ainda no ano passado, antes mesmo do Projeto de Lei (PL) Antifacção. Também fez críticas às alterações feitas por parlamentares na PEC, e disse que o governo está em contato com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e lideranças parlamentares para negociar uma versão mais próxima à matéria original enviada pelo Planalto.
A PEC aumenta as competências das forças federais no combate ao crime organizado, mas ainda sofre resistência no Parlamento e entre governadores da oposição, que temem perda de autonomia no combate ao crime em seus estados.
Caso Master
Gleisi foi questionada ainda, durante a entrevista, sobre os impactos do escândalo do Banco Master para o governo federal. Acusado de fraude bilionária, o banco de Daniel Vorcaro é o pivô de uma crise institucional envolvendo questionamentos à atuação de órgãos como o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a ministra, o caso não foi discutido no Planalto. “Nunca discutimos sobre isso. Eu acho que o papel do governo, e é isso que o presidente tem conduzido, é de investigar esse processo. Envolva quem envolver, têm que responder se tiverem dado causa a uma situação dessas”, disse.
Gleisi comentou ainda que não acredita que o caso terá impacto na campanha eleitoral. Já sobre uma possível abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo, afirmou que não cabe ao Executivo comentar sobre uma decisão do Parlamento.
