ELEIÇÕES 2026

Jorginho escolhe Adriano Silva e redesenha o tabuleiro político em SC

Aliança PLe Novo fortalece projeto de reeleição, mas expõe fissuras da direita no estado e no plano nacional

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), oficializou ontem (22/1) a noite a composição da chapa que disputará sua reeleição. O escolhido para a vaga de vice-governador é o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), decisão que confirma especulações de bastidores e provoca um reposicionamento relevante no cenário político catarinense.

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Ao anunciar o nome, Jorginho exaltou o perfil técnico e eleitoral de Adriano, empresário do setor farmacêutico e gestor reeleito em 2024 “com quase 80% dos votos da população de Joinville”, maior colégio eleitoral do estado. A escolha sela uma aliança entre PL e Novo na majoritária e rompe com a expectativa anterior de que o MDB ficaria com a vaga de vice.

Adriano, primeiro prefeito eleito pelo Novo no país, afirmou que aceitar o convite implica uma decisão difícil: a renúncia ao comando da Prefeitura de Joinville, exigida pela legislação eleitoral. Segundo ele, a saída será feita de forma planejada, ainda que marcada por “dor no coração” ao apego pessoal à cidade. O prefeito sustenta que a decisão “não é pessoal” e tem caráter coletivo e amplia a possibilidade de atuação em favor de Santa Catarina como um todo.

O discurso público das chapas nas redes sociais aposta na ideia de unidade da direita. Na postagem, Jorginho afirmou que o estado “sai na frente” ao reunir forças do campo conservador, numa mensagem que ultrapassa as fronteiras catarinenses e dialoga com o debate presidencial de 2026.

“A direita se uniu em Santa Catarina. Que seja um exemplo para o Brasil!”, disse o governador. 

Jorginho sugere, de forma indireta, que a experiência local poderia servir de modelo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito à reeleição até agora.

Na prática, porém, o movimento evidencia contradições. No plano nacional, a direita segue fragmentada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e governadores como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mesmo negando pretensões presidenciais, Tarcísio é pressionado a se posicionar publicamente e a declarar apoio explícito a Flávio, o que tem gerado desconforto em seu entorno político.

Em Santa Catarina, a costura com o Novo também altera equilíbrios internos. Ao trazer Adriano para a chapa, Jorginho neutraliza uma liderança jovem e bem avaliada eleitoralmente, ao mesmo tempo em que projeta o prefeito para o cenário estadual. A articulação ainda enfraquece potenciais alianças de adversários, como o PSD de João Rodrigues, e deixa MDB e Progressistas sem espaço.

A disputa pelo Senado aprofunda o impasse do PL, com os nomes de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, e praticamente inviabiliza a permanência do senador Esperidião Amin (PP) na corrida. A entrada de Carlos Bolsonaro, inclusive, abriu um conflito interno no PL catarinense. Em entrevista ao Correio, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, atribuiu ao próprio Jorginho a tarefa de resolver o embate local, sinalizando que a direção nacional prefere evitar intervenção direta.

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html

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