poder

Sai 'intervenção militar já', entra 'CPMI do Master'

Com discurso suavizado, extrema-direita abre 2026 focada no Congresso e na anistia a Bolsonaro

Os bolsonaristas abrem, oficialmente, o ano eleitoral de 2026 com um discurso repaginado. No principal ato que realizaram este ano em Brasília, puxados pela caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), as faixas "Intervenção militar já" e "Fora STF", que dominavam a pauta no passado, foram substituídas. A ordem entre eles traz algumas pautas que vêm desde o ano passado, como "Liberdade para Bolsonaro", "Anistia já", e, na manifestação deste domingo (25/1), foi acrescentada a "CPMI do Banco Master" e o "chega de corrupção", com citações à CPMI do INSS. Com a volta dos trabalhos do Congresso, na semana que vem, é por aí que eles pretendem caminhar.

Essa modulação do discurso não significa que deixarão de lado a guerra aberta contra o Supremo Tribunal Federal. Os pedidos de impeachment, em especial, do ministro Alexandre de Moraes, continuarão em alta no grupo mais afinado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliás, os parlamentares bolsonaristas vinham sendo muito cobrados nas redes sociais, acusados de abandonarem o ex-presidente à própria sorte. Especialmente, depois que a bancada não teve força para aprovar uma anistia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a dosimetria das penas dos condenados por tentativa de golpe e participação no quebra-quebra das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Assim como os petistas não abandonaram Lula, preso em 2018, os bolsonaristas querem deixar claro que não abandonaram seu líder. Renovado esse apoio, uma das prioridades dos aliados do ex-presidente será a derrubada do veto à dosimetria das penas, sem deixar de pontuar discursos com loas à anistia. E, de quebra, a defesa da instalação da CPMI do Banco Master.

"Voltaremos renovados por essa manifestação e com respaldo popular para essas pautas", comentou a deputada Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado e defensora da CPMI. O PL pretende apresentá-la e também a ex-primeiria-dama Michelle Bolsonaro ao Senado, uma dobradinha que certamente dificultará a parceria com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) — que anunciou, no ano passado, a saída do GDF para concorrer a uma vaga de senador e espera ter o apoio do PL. Porém, isso não está assegurado.

A ideia de repaginar o ato e tirar referências extremistas foi proposital. A ordem, agora, é não fazer qualquer gesto que possa ser interpretado como rompimento da ordem institucional, de forma a não dificultar uma possível prisão domiciliar do ex-presidente, detido na Papudinha. A prioridade da família, neste momento, é conseguir a volta para casa.

O ato, aliás, não só deu novo ânimo à bancada do PL para as ações no Congresso, como, também, foi um alento aos filhos do ex-presidente. Até aqui, 01, 02 e 03 vêm sendo acusados de trabalharem apenas para defender a própria pele, ou seja, as próprias candidaturas. No caso do senador Flávio (PL-RJ), o 01, persistia um certo desconforto, porque o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era considerado o candidato mais palatável. O ato mostrou que, mesmo sem estar presente, Flávio tem apoio. Ele e o ex-deputado Eduardo, o 03 — que continua autoexilado nos Estados Unidos, estão em Israel.

O único que compareceu à manifestação foi o ex-vereador Carlos, o 02, pré-candidato ao Senado em Santa Catarina. Ele fez uma oração com Michelle, logo cedo, antes da caminhada até a Praça do Cruzeiro. A ex-primeira-dama justificou que precisava voltar para casa, a fim de preparar o almoço que leva, quase todos os dias, para o marido na Papudinha.

Mais Lidas