Saúde pública

Governo comemora vacina 100% brasileira contra a dengue

Presidente comemorou o primeiro imunizante nacional contra a doença, em dose única, e fez apelo para que a população volte a participar de campanhas de vacinação. Aporte é no valor de R$ 1,4 bilhão do governo federal

Presidente Lula e o ministro Alexandre Padilha conheceram o centro de produção de vacinas do Instituto Butantan -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Presidente Lula e o ministro Alexandre Padilha conheceram o centro de produção de vacinas do Instituto Butantan - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, ontem, em visita ao Instituto Butantan, em São Paulo, um pacote de R$ 1,4 bilhão para ampliar a infraestrutura e a capacidade produtiva de vacinas e insumos imunobiológicos no país. No mesmo evento, foi divulgado o início da imunização contra a dengue para profissionais da Atenção Primária em todos os estados, com a Butantan-DV, uma vacina 100% nacional.

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Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o petista assinou ordens de serviço para a construção de duas novas fábricas e a modernização de outras duas unidades da instituição. Os recursos, oriundos do Novo PAC Saúde, fazem parte da estratégia federal de fortalecimento da indústria nacional da saúde, com foco na autonomia tecnológica e na ampliação do atendimento às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). O chefe do Planalto afirmou que o Brasil e o mundo atravessam um "momento político muito delicado", marcado por "sectarismo negacionista" e pelos efeitos de uma "loucura digital".

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"Temos que ter a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, de os professores falarem, os pastores falarem, os padres falarem, os políticos falarem, até que a gente convença as pessoas de que tomar vacina significa evitar a possibilidade de que em algum momento a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa", disse o petista.

No evento, o presidente defendeu o papel do Estado no financiamento da ciência. "Quem investe em pesquisa nesse país se não é o setor público?", questionou, ao argumentar que empresários dificilmente arriscariam capital próprio em projetos de longo prazo. Para ele, fortalecer instituições como o Butantan significa atender "215 milhões de almas que vivem nesse país e que precisam que o Estado brasileiro invista".

A iniciativa prevê a produção nacional de soros e imunizantes avançados, incluindo vacinas baseadas em RNA mensageiro (RNAm), tecnologia considerada estratégica para respostas rápidas a emergências sanitárias e futuras pandemias. Do total anunciado, R$ 76,1 milhões serão destinados à nova plataforma, vista pelo governo como um passo para posicionar o Brasil na vanguarda da biotecnologia.

Entre as novas plantas industriais está a unidade dedicada ao Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina DTPa — contra difteria, tétano e coqueluche — com investimento de R$ 550,7 milhões e capacidade estimada de 6 milhões de doses por ano, reduzindo a dependência de importações. Outra fábrica, voltada ao imunizante contra o HPV, receberá R$ 495,9 milhões e poderá produzir até 20 milhões de doses anuais.

A unidade de soros e a área multipropósito contarão com mais de R$ 232,5 milhões. Inicialmente, a estrutura deve produzir 1,2 milhão de frascos de soro concentrado por ano, com previsão de alcançar 5,5 milhões após a conclusão das obras, além de ao menos 440 mil frascos anuais de soros e vacinas liofilizadas.O governo afirmou que laboratórios públicos têm sido centrais para a internalização de tecnologias por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), modelo que permite dominar todas as etapas — da pesquisa à aprovação regulatória — e garantir previsibilidade no abastecimento do SUS.

Atualmente, o Butantan, instituto ligado ao governo de São Paulo, mantém 14 projetos vinculados às PDPs e ao Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, além de dez iniciativas contempladas pelo Novo PAC. No plano mais amplo, o Executivo prevê cerca de R$ 15 bilhões para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e já firmou, desde 2023, 31 parcerias entre empresas públicas e privadas para a produção de vacinas, medicamentos e insumos estratégicos.

Vacinação

Além dos investimentos estruturais, o governo anunciou o início da vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária em todos os estados. A campanha utilizará uma vacina totalmente nacional desenvolvida pelo Butantan, que deve proteger cerca de 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do SUS — mais de 216 mil apenas em São Paulo.

As primeiras 650 mil doses já foram distribuídas, enquanto o restante será enviado nas próximas semanas. A ampliação da imunização para a população de 15 a 59 anos está prevista para o segundo semestre, começando pelos grupos mais velhos conforme a capacidade produtiva for ampliada.

O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses, com investimento de R$ 368 milhões. Uma parceria estratégica entre Brasil e China, com transferência de tecnologia para a WuXi Vaccines, deve multiplicar a produção em até 30 vezes. Ao mencionar a produção da primeira vacina contra a dengue, Lula criticou o que chamou de "complexo de vira-lata" e defendeu maior confiança na ciência nacional. Ele também afirmou que o fortalecimento do Butantan não deve ser interpretado como uma decisão de caráter regional ou partidário.

 


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postado em 10/02/2026 03:55
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