Saúde

No Butantan, Lula defende investimento público, vacinação e multilateralismo

Presidente destacou o papel da pesquisa para o desenvolvimento do país e afirmou que não faltarão recursos para institutos científicos. "Quem investe em pesquisa nesse país se não é o setor público?", questionou

Ao mencionar a produção da primeira vacina brasileira contra a dengue, o petista defendeu que o país acredite em sua própria capacidade científica e supere o que chama de complexo de vira-lata -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Ao mencionar a produção da primeira vacina brasileira contra a dengue, o petista defendeu que o país acredite em sua própria capacidade científica e supere o que chama de complexo de vira-lata - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

Durante visita ao Instituto Butantan para participar de anúncio em infraestrutura, vacinação e soros, nesta segunda-feira (9/2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil e o mundo vivem um “momento político muito delicado”, marcado por “sectarismo negacionista” e pelos efeitos de uma “loucura digital” que, segundo ele, criou problemas inesperados para a sociedade.

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No discurso, o petista defendeu o investimento público como motor da ciência e da inovação. “Quem investe em pesquisa nesse país se não é o setor público?”, questionou, acrescentando que o Brasil não possui capitalismo de risco e que empresários, “por mais ricos que sejam”, não colocariam recursos próprios em projetos dessa natureza.

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Para o presidente, fortalecer instituições como o Butantan significa atender “215 milhões de almas que vivem nesse país e que precisam que o Estado brasileiro invista”.

Lula também citou indicadores econômicos para sustentar que o país está em trajetória positiva. Segundo ele, o Brasil deve registrar a menor inflação em quatro anos, o menor desemprego da história, a maior massa salarial, além de recordes em exportações, cirurgias eletivas e programas educacionais. “Onde é que está a razão para alguém desacreditar nesse país?”, afirmou.

Capacidade científica

Ao mencionar a produção da primeira vacina contra a dengue, o presidente Lula defendeu que o Brasil acredite em sua própria capacidade científica. “Por que muitas vezes a gente ainda consegue viver com o complexo de vira-lata?”, perguntou, ressaltando a importância de o brasileiro pensar grande e reconhecer a dimensão das instituições nacionais de pesquisa.

No campo internacional, afirmou que o país não pretende escolher entre Estados Unidos e China, mas sim “aquilo que é melhor para o nosso país”. Ele defendeu o multilateralismo como base para a convivência pacífica entre as nações e criticou a ideia de supremacia dos países mais fortes. Também citou a possibilidade de parcerias para ampliar a produção de vacinas.

Lula disse ainda que o fortalecimento do Butantan não deve ser interpretado como uma decisão voltada a interesses regionais ou partidários. “Não importa quem seja o governador ou prefeito — isso para mim é o que menos importa”, declarou.

O presidente também criticou a disseminação de informações falsas e afirmou que o país precisa vencer a ignorância e retomar a confiança nas campanhas de imunização. Para ele, será necessário mobilizar professores, líderes religiosos e políticos para convencer a população sobre a importância das vacinas.

Ao encerrar, o presidente garantiu apoio contínuo à ciência brasileira. “Enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para a pesquisa, nem no Butantan nem em nenhum outro instituto de pesquisa desse país”, afirmou, ao parabenizar trabalhadores e pesquisadores da instituição.

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postado em 09/02/2026 16:47
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