
A possibilidade de troca do vice-presidente Geraldo Alckmin por um nome do MDB na corrida eleitoral está incomodando lideranças do PSB. A mudança é defendida por uma ala do PT que argumenta pela ampliação do leque de alianças do chefe do Executivo, mesmo que o MDB dificilmente consiga fechar apoio unânime à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da legenda ouvidos pelo Correio apontam que há um erro de cálculo por parte de aliados de Lula, mas avaliam que há poucas chances de que o presidente oficialize a troca.
A movimentação ganhou força nas últimas semanas, e foi tema de uma reunião do diretório paulista do PT na segunda-feira. No encontro, ficou claro que há uma divisão interna do PT sobre a troca. Sob reserva, correligionários de Alckmin dizem estranhar o movimento de aliados de Lula para retirar o vice-presidente da chapa, especialmente com o bom desempenho do pessebista no cargo e também como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Porém, acreditam que Lula vai mantê-lo ao seu lado. O PSB foi o primeiro partido a declarar apoio à reeleição do petista.
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O MDB, por sua vez, dificilmente entregará apoio total a Lula. Em São Paulo, a sigla disputa a reeleição de Ricardo Nunes na capital, e apoia a permanência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes. Estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também resistem à aproximação com o petista. Diretórios no Nordeste são mais favoráveis — o senador Renan Calheiros (MDB-AL) é um dos principais articuladores de uma possível aliança.
O mais provável, porém, é que a sigla libere as alianças regionais ou declare neutralidade em relação a Lula. A aliança foi debatida entre Lula e caciques do MDB durante reunião na Granja do Torto, em dezembro.
Para lideranças do PSB, não faz sentido que Lula componha com um partido que não vai entregar apoio nacional, mesmo que tenha grande força política. Eles atribuem à chapa “Lula com Chuchu” — referência ao apelido “picolé de chuchu” que Alckmin recebeu quando ainda era governador de São Paulo — a vitória apertada nas eleições de 2022 contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Porém, a ideia ganhou corpo no início de fevereiro, após Lula declarar, em entrevista ao portal UOL, que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo”. A fala foi interpretada como um recado para que o vice-presidente decida concorrer a um cargo em seu estado natal, apesar de Lula ter amenizado a situação dias depois, tecendo elogios a Alckmin durante evento do PT em Salvador.
O vice-presidente, por sua vez, demonstrou irritação com os rumores a aliados e disse que, se não estiver na chapa presidencial, não vai concorrer a outros cargos.
PT vê possibilidade de troca
Desde a fala de Lula, os comentários de aliados foram ficando mais explícitos. Ontem, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Educação, Camilo Santana, disse que “é viável discutir espaço na chapa” para ampliar as alianças de Lula, e citou os nomes do ministro dos Transportes, Renan Filho — filho de Renan Calheiros — e do governador do Pará, Helder Barbalho, como boas opções.
Ao Correio, o vice-líder do PSB na Câmara Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) disse que considerar a troca na chapa é uma “insensatez” e uma “deslealdade” com Alckmin e com a legenda. Ele aponta que, apesar de o MDB ter ministros que ganharam destaque no governo Lula, nenhum deles tem a mesma capacidade de ampliar alianças do que o atual vice-presidente.
“Ele é do principal colégio eleitoral do Brasil, conversa com todas as correntes políticas. De uma lealdade indiscutível, uma capacidade de trabalho extraordinária. Demonstrou isso em diversos episódios do governo, por exemplo, negociando as taxas do governo americano”, comentou o deputado. Ele rebateu ainda a fala do titular da Educação. “Eu acho que isso é um equívoco enorme, uma falta de compreensão, com todo o respeito ao ministro Camilo. Demonstra um equívoco e falta de compreensão política do momento que estamos vivendo”, acrescentou.

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