Banco Master

Lula diz que encontrou Vorcaro e que não haverá interferência no Master

O presidente também ressaltou que defende apuração "até às últimas consequências"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (5/2), em entrevista ao UOL, que o governo não adotará qualquer posição política em relação ao Banco Master e que eventuais irregularidades devem ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Segundo ele, a determinação é aprofundar as investigações para identificar possíveis responsáveis por prejuízos ao sistema financeiro.

“Eu já recebi, nesse mandato, Itaú, Bradesco, Santander, o BTG Pactual, todos os bancos que eu já recebi. E quando aconteceu, ele não tinha uma agenda marcada comigo. O Guido veio a Brasília, e pediu se eu pudesse atender ele. E quando ele veio conversar comigo, eu chamei o Gallipoli, o Rui Costa, que é da Bahia, que conhecia ele”, afirmou.

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Lula relatou ter recebido o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco, após pedido intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O encontro contou também com a presença de autoridades do governo. De acordo com o presidente, o empresário relatou estar sofrendo perseguição e pressões do mercado.

“O que eu disse pra ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master, o que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central”, declarou. “A política não entrará em evidência. O que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado, se você quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem.”

O presidente afirmou ainda que convocou o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e o procurador-geral da República para discutir o tema e avaliar as informações disponíveis. Para Lula, o caso pode representar “a primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção, da lavagem de dinheiro nesse país”.

“Não me importa quem envolva — político, partido ou banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade”, disse, acrescentando que o episódio pode estar relacionado “talvez ao maior rombo econômico da história desse país”.

Limites da atuação presidencial

Ao comentar a possibilidade de criação de uma comissão parlamentar de inquérito, Lula afirmou que respeita os limites institucionais do cargo e que não cabe ao presidente interferir em órgãos de investigação. “Eu não sou Polícia Federal, não sou Banco Central e não sou Ministério Público. E muito menos tenho o poder de interferir na decisão da Suprema Corte”, declarou.

Segundo ele, a orientação do governo é permitir que as autoridades competentes conduzam o processo com independência. “A ordem é investigar até as últimas consequências para ver se a gente tira desse rombo que um banco deu na economia brasileira e para que nunca mais isso se repita”, concluiu.

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