Banco Master

Fachin notifica Toffoli após PF encontrar nome do ministro em celular de Vorcaro

Corporação pediu suspeição do relator no caso da investigação da instituição financeira. Por meio de nota, ministro disse que irá esclarecer as citações encontradas pela Polícia Federal

A Polícia Federal pediu, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quarta-feira (11/2), a suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria da investigação do Banco Master. A requisição ocorreu após uma inspeção no celular do presidente da instituição financeira, Daniel Vorcaro, que apontou citações ao relator e a outras pessoas com foro privilegiado. Fachin intimou Toffoli a se manifestar sobre o caso.

O conteúdo está sob sigilo e foi entregue pelo próprio diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Correio. Os diálogos reforçam as suspeitas de uma possível relação próxima entre Vorcaro e Toffoli, em meio à apuração que envolve o Master.

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Por meio de nota, a equipe de Toffoli disse que se tratam de deduções e que vai esclarecer as citações encontradas pela PF.

“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", diz.

A descoberta das conversas ocorre em um momento de crise e desgaste interno na Corte. O relator é alvo de diversos questionamentos a respeito de sua atuação no caso desde o início das apurações. Ao intimar Toffoli, Fachin quer saber se há conflitos de interesse entre as partes. 

Controvérsias

A atuação do ministro Dias Toffoli no caso tem sido alvo de questionamentos e críticas entre os Poderes. Além da sequência de recuos em decisões e acusações de interferência na autonomia da Polícia Federal na investigação, é apontada a suposta ligação da família do próprio magistrado e da família dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

O jornal Estado de S. Paulo revelou que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, fez aportes financeiros por meio de um fundo de investimentos no resort pertencente aos irmãos de Toffoli. A informação tem mobilizado deputados e senadores que defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso no Congresso. Para esses parlamentares, o ministro deveria se declarar impedido de relatar o caso por conflito de interesses. 

Outro fato lembrado é que, em 29 de novembro, o advogado Augusto de Arruda Botelho, que faz a defesa de um dos diretores do Banco Master, esteve em um jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore com Dias Toffoli em viagem para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru. À época, Botelho e o ministro alegaram que “eram apenas torcedores” e que não conversaram sobre trabalho na viagem. 

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