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Caso Master: Centrão defende ministro Dias Toffoli

União Brasil, PP e Solidariedade divulgam notas e veem "linchamento" do magistrado. Consideram que ele é vítima de "narrativas" para antipatizá-lo ante a sociedade

O PP, o União Brasil e o Solidariedade saíram, nesta sexta-feira, em defesa do ministro Dias Toffoli, que na noite de quinta-feira decidiu se afastar o inquérito sobre a venda a do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB) que corre no Supremo Tribunal Federal. Os partidos consideram que o magistrado está sendo submetido a um "linchamento" e que tentam colocar a população contra ele por meio de "narrativas".

A nota do PP e do União Brasil é assinada pelos presidentes dos dois partidos, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, e está em nome da federação União Progressista. Eles observam que "neste momento, é essencial nos atentarmos às narrativas que querem colocar a população contra o ministro Dias Toffoli e tudo o que ele fez e faz pelo país enquanto ministro no STF". Vão além ao dizer que "atentar contra o ministro Toffoli é enfraquecer não só um servidor da Nação ou um Poder da República, mas, sim, atacar os pilares do nosso próprio sistema democrático".

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"É preciso ponderar que as injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem uma base sólida. Uma versão caluniosa, que passa a ser tratada como verdadeira justamente pela repetição", observa a defesa da federação à postura do ministro. A nota salienta ainda que "a Justiça se fortalece quando há equilíbrio e respeito às instituições".

Já a manifestação do Solidariedade, assinada pelo deputado federal Paulinho da Força (SP), presidente nacional da sigla, critica o que chama de "linchamento moral" do ministro. "Manifestações firmes se fazem essenciais para lidar com momentos turbulentos. Por isso, torna-se pública a presente nota para reconhecer os quase 20 anos de relevantes serviços prestados na magistratura brasileira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli", frisa o partido.

A publicação prossegue ao lembrar que "o ministro ocupou a Presidência do Poder Judiciário durante o desafiador período da pandemia de coronavírus (Covid-19). Também conduziu eleições gerais como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, sendo sempre respeitado pelo equilíbrio e firmeza em sua atuação pública."

O Solidariedade fala em "linchamento" do magistrado por conta da atuação que vem tendo na investigação do caso Master, que em vários momentos contrariou a Polícia Federal (PF), mas que tornou-se, também, razão de questionamentos no meio jurídico e dentro do próprio STF. "Não se pode admitir que corporações e uma parcela da mídia promovam o linchamento moral de autoridades públicas com base em prejulgamentos e vazamentos seletivos de elementos de informação", afirma.

Responsabilidade

O partido conclui que "a responsabilidade institucional exige de todos nós — líderes políticos — e da sociedade cuidado com a defesa da democracia e de suas instituições."

As três legendas integram o Centrão no Congresso, composto ainda pelo Republicanos e pelo MDB. Nos bastidores da investigação sobre a liquidação extrajudicial do Master, há várias indicações de que os partidos que integram esse grupo no Congresso — que tem sido decisivo nas votações, ora a favor do Palácio do Planalto, ora se aliando ao PL bolsonarista — seria fortemente atingido pelas investigações sobre as conexões políticas do ex-baqueiro Daniel Vorcaro. Sobretudo por conta dos investimentos feitos por fundos de previdência de estados e de prefeituras na instituição que não estariam cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Toffoli deixou a relatoria após a PF encontrar menções ao nome dele no celular de Vorcaro. O ministro é sócio-oculto da empresa Maridt Participações, dirigida por dois de seus irmãos, que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no empreendimento no Paraná a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do ex-dono do Master.

O ministro confirmou ter participação na Maridt e que recebeu dividendos de empresa, que realizou negócios com fundo ligado ao ex-banqueiro. Mas afirmou não ter "relação de amizade" com Vorcaro e declarou que "jamais recebeu qualquer valor" pago por ele. (Com Agência Estado)

 

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