Em discurso na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi, nesta quinta-feira (19/2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a regulamentação das chamadas big techs e a construção de uma governança global inclusiva para a inteligência artificial (IA).
Segundo o chefe do Executivo, as grandes empresas globais de tecnologia exercem uma “dominação” digital ao concentrarem o controle de algoritmos e infraestruturas e ao se apropriarem de dados de empresas, governos e cidadãos em todo o mundo. "O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”, afirmou.
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Durante o pronunciamento, Lula comparou a inteligência artificial a marcos históricos como a aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial. Para ele, esses avanços demonstram a dualidade da tecnologia, capaz de ampliar o bem-estar coletivo, mas também de representar ameaças significativas.
“A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes. Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, declarou.
O petista ainda defendeu a construção de uma governança internacional que acompanhe o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico, em um cenário que classificou como de enfraquecimento do multilateralismo.
Após a participação na cúpula, Lula cumpre agenda bilateral em Nova Délhi. O presidente terá reunião com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para discutir a expansão das relações bilaterais nos campos econômico e tecnológico, além de trocar impressões sobre a conjuntura internacional. A viagem marca a quinta visita de Lula ao país asiático e a segunda no atual mandato.
Entre os temas previstos estão os desafios ao multilateralismo e ao comércio internacional, a necessidade de reformulação da governança global — incluindo uma reforma abrangente das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança —, o compromisso com a paz em Gaza e o respeito à soberania das nações e à democracia.
