O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (19/2), durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, a construção de uma governança global multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento para regular o avanço da tecnologia no mundo. Em discurso, o chefe do Executivo destacou a necessidade de que a inteligência artificial seja utilizada como instrumento de melhoria da qualidade de vida, fortalecimento da democracia e promoção da soberania dos países.
Lula afirmou que o Brasil está estruturando internamente as bases para participar de forma ativa desse cenário tecnológico. ”O Congresso brasileiro discute uma política de atração de investimentos em centros de dados e um marco regulatório de Inteligência Artificial. O Brasil lançou em 2025 o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Esse plano expressa nosso compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas através de serviços públicos mais ágeis e maior estímulo à geração de emprego e renda”, explicou.
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De acordo com o presidente, a estratégia nacional reflete o posicionamento defendido pelo país em fóruns internacionais. Ele lembrou que essa mesma orientação guiou a declaração sobre inteligência artificial aprovada na Cúpula dos Brics realizada no Rio de Janeiro no ano passado, documento que, segundo ele, consolidou a visão de que a tecnologia deve estar a serviço do desenvolvimento social.
No campo da cooperação internacional, Lula ressaltou que o Brasil mantém diálogo com diferentes iniciativas globais, incluindo a proposta chinesa de criação de uma Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial voltada aos países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial, originada no G7. Apesar disso, enfatizou que nenhum desses espaços substitui o papel das Nações Unidas como instância universal para a governança global da tecnologia.
O presidente destacou ainda o Pacto Digital Global, aprovado em Nova York em setembro de 2024, como um marco relevante para a coordenação internacional do tema. Ele também mencionou o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, classificado como o primeiro órgão científico global dedicado ao assunto, responsável por reunir especialistas e produzir evidências técnicas que subsidiem decisões internacionais.
Para Lula, o principal desafio é construir um modelo de regulação que respeite as diferentes trajetórias nacionais e garanta que o desenvolvimento tecnológico não aprofunde desigualdades. A governança da inteligência artificial, disse, deve promover coesão social, fortalecer instituições democráticas e preservar a autonomia dos Estados. Ao encerrar sua participação, Lula reforçou que o avanço tecnológico exige cooperação internacional, responsabilidade política e compromisso com o desenvolvimento humano.
