A Polícia Federal informou, nesta sexta-feira (6/3), que todas as informações reunidas no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a fraude do Banco Master, seguiram critério técnicos e legais, sem inclusão de dados de caráter íntimo ou irrelevantes para a investigação. A corporação também informou que pediu ao ministro relator do caso a abertura de uma apuração para identificar o responsável pela divulgação indevida de informações sigilosas do processo.
De acordo com a PF, os relatórios e representações encaminhados à Justiça contêm apenas elementos considerados necessários para a instrução das investigações. "Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados", afirmou.
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Na nota, a corporação também negou qualquer tipo de manipulação de conversas ou seleção indevida de dados extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação. "Não compete à Polícia Federal editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena, inclusive, de violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados."
Os materiais recolhidos durante a operação estão sob custódia da Polícia Federal desde novembro de 2025. Em janeiro deste ano, os documentos foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR). Após decisão do então ministro relator do caso, as defesas dos investigados tiveram acesso integral aos conteúdos.
Parte das informações também foi compartilhada com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, conforme determinação do atual relator do processo, segundo a Polícia Federal.
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Inquérito
Ainda nesta sexta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do processo referente à fraude do Banco Master, determinou que a PF instaure um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do celular de Vorcaro.
Os dados vazados incluem conversas íntimas de Vorcaro com a namorada, Martha Graeff, que citam deputados e ministros do próprio STF, incluindo Alexandre de Moraes.
Os advogados do banqueiro também protocolaram, no STF, um pedido para que seja aberta uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos.
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Segundo a defesa, mensagens atribuídas ao conteúdo dos aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo antes de os advogados terem tido acesso ao material completo.
No documento, os advogados afirmam que parte das mensagens divulgadas contém conversas de caráter pessoal e envolvem terceiros que não teriam relação com os fatos investigados.
