Caso Master

Toffoli nega ter tido acesso a dados de celulares de Vorcaro durante relatoria do Master

Gabinete do ministro afirma que material da PF só chegou ao STF em 12 de fevereiro, após André Mendonça assumir o processo; magistrado havia ordenado envio das provas um mês antes

Toffoli deixou a relatoria após uma crise de credibilidade que culminou em uma reunião de mais de quatro horas entre os 10 ministros do STF -  (crédito: LUIZ SILVEIRA / STF)
Toffoli deixou a relatoria após uma crise de credibilidade que culminou em uma reunião de mais de quatro horas entre os 10 ministros do STF - (crédito: LUIZ SILVEIRA / STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta sexta-feira (6/3), que não teve acesso ao material extraído dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados enquanto era o relator do inquérito sobre o Banco Master na Corte. Segundo nota oficial de seu gabinete, o conteúdo da quebra de sigilo só foi enviado pela Polícia Federal (PF) ao Supremo após o ministro André Mendonça assumir o caso, o que aconteceu em 12 de fevereiro.

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O gabinete enfatiza que, até essa data, nenhum dado havia chegado à Corte, invalidando a tese de que ele teria consultado as mensagens antes de se afastar do caso.

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“Deve-se salientar que a última decisão por mim proferida nestes autos, em 12 de janeiro de 2026, foi justamente para determinar que a Polícia Federal encaminhasse o material ao Supremo”, destacou a nota.

Toffoli deixou a relatoria após uma crise de credibilidade que culminou em uma reunião de mais de quatro horas entre os 10 ministros do STF. Sua saída foi motivada por dois fatores principais: o ministro revelou ser sócio de uma empresa que vendeu parte do Resort Tayayá para fundos ligados a Vorcaro; e os investigadores enviaram ao Supremo um documento apontando ligações diretas entre Toffoli e o banqueiro.

Apesar de sair da relatoria, o ministro não se declarou suspeito, o que o mantém apto a votar em julgamentos relacionados ao caso na Segunda Turma, ao lado do atual relator, André Mendonça.

As mensagens

As mensagens que Toffoli afirma não ter visto serviram de base para a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva de Vorcaro e de três aliados. A PF descreve uma “engrenagem criminosa” com os seguintes números e indícios:

  • Intimidação: o grupo visava acessar dados sigilosos para coagir jornalistas e adversários;

  • Acesso indevido: há indícios de que o grupo invadiu sistemas do Ministério Público Federal, da PF e de órgãos internacionais, como o FBI e a Interpol;

  • Crise bancária: o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno (todos do mesmo grupo) sofreram liquidação pelo Banco Central em novembro de 2024 por risco de insolvência e ofertas de Certificado de Depósito Bancário (CDBs) com juros fora do padrão do mercado.

O material coletado também revelou diálogos de Vorcaro com outras figuras públicas. Em um episódio citado, o ex-banqueiro teria enviado a mensagem “Conseguiu bloquear?” ao ministro Alexandre de Moraes, também do STF, questionando o magistrado horas antes de uma operação policial.

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postado em 06/03/2026 15:31 / atualizado em 06/03/2026 15:38
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