O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (16/3) o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, para uma reunião no Palácio do Planalto. Ambos defenderam a integração entre os países da América do Sul, apesar das divergências ideológicas, e trataram de cooperação em áreas como infraestrutura, turismo e produção de alimentos.
A reunião ocorreu a portas fechadas. Em seguida, Lula e Paz deram declaração conjunta a jornalistas, como é praxe em visitas de chefes de Estado. Após o evento, almoçaram juntos no Palácio do Itamaraty.
“O presidente Paz e eu concordamos que a integração regional não é um projeto ideológico. É uma necessidade histórica. Em um mundo cada vez mais competitivo, nenhum país da nossa região terá condições de prosperar isoladamente”, declarou Lula.
“Somente uma América do Sul integrada poderá ocupar o lugar que merece na economia e na política global. A adesão da Bolívia ao Mercosul representa um passo histórico. O Mercosul se fortalece e nos dá mais autonomia estratégica diante das instabilidades do mercado global”, acrescentou. A Bolívia aderiu ao bloco em 2024.
Lula citou ainda que os dois países enfrentaram ameaças à democracia, citando os ataques de 8 de janeiro de 2023, no Brasil, e a tentativa de golpe militar de 2019, que levou à renúncia de Evo Morales, e a tentativa golpista de 2024, quando militares, com tanques de guerra, invadiram a sede do Executivo em La Paz.
“Em ambos os casos, saímos fortalecidos. Nossos países provaram que instituições democráticas e a vontade popular são capazes de superar tentativas de ruptura. O futuro da nossa região depende da nossa capacidade de cooperar. Sem amarras ideológicas, sem ódio e sem violência, construiremos uma América Latina pacífica, integrada e próspera”, afirmou Lula.
No discurso, o chefe do Executivo também defendeu o aumento do fluxo comercial entre os países, que alcançou US$ 2,6 bilhões em 2025, e citou que 120 empresários bolivianos que acompanham o presidente Rodrigo Paz vão participar de um fórum empresarial em São Paulo, amanhã (17), para discutir oportunidades de negócio.
Infraestrutura e energia
Lula também comentou que está em construção a segunda ponte entre Brasil e Bolívia, sobre o rio Mamoré, que deve ficar pronta em 2027. A obra vai ligar as cidades de Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayarámerin, no Departamento de Beni.
Outro ponto central da visita é o projeto Rotas de Integração Sul-Americana. A Bolívia quer ter acesso ao Oceano Atlântico, facilitando o escoamento da produção. Para isso, Brasil, Bolívia e Paraguai assinaram um acordo tripartite no ano passado, para aumentar a navegabilidade do Rio Paraguai.
Também teve destaque as negociações para o fornecimento de energia e combustíveis, com possível aumento do volume de gás importado pelo Brasil.
“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, afirmou Lula.
No setor energético, os dois países também assinaram um acordo para construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, e o município de Corumbá, Mato Grosso do Sul.
Na área da segurança pública, Brasil e Bolívia firmaram tratado de cooperação para reforçar o combate ao tráfico de armas, drogas, pessoas, roubo de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais.
