CASO MASTER

Senador diz que não será intimidado por processo da família de Moraes

"Tentativas de intimidação não assustam e não vão nos calar", escreve o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) nas redes sociais ao comentar notícia de que o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, pretende processá-lo

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou,  nesta segunda-feira (16/3) que não vai se intimidar com ameaças de processos e continuará defendendo a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes do Banco Master. 

“Tentativas de intimidação não assustam e não vão nos calar. Nosso compromisso é com os brasileiros, especialmente com as milhares de vítimas do caso Master, e é com seriedade e coragem que seguiremos trabalhando todos os dias!”, escreveu Vieira nas redes sociais.

Em vídeo (ver abaixo) publicado em seu perfil citando notícia publicada pelo jornal Folha de São Paulo, informando que o escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes processá-lo por calúnia e difamação, o senador alegou que não se surpreendeu com a medida classificada por ele como “tentativa de intimidação”. Além disso, Vieira reforçou a defesa da instauração da CPI para investigar não apenas Moraes, como outros ministros do STF que tiverem relações com o Banco Master.  

O parlamentar coletou 35 assinaturas de senadores, acima do mínimo exigido, de 27, para que seja aberta uma CPI para investigar o escândalo do Master, considerado por integrantes do atual governo como o maior da história.



Liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central, o Master já provocou um prejuízo de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com indenizações de credores e investidores da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília, o maior rombo da história do Fundo criado em 1994.

 O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado do STF, foi contratado pelo Banco Master para serviços de consultoria jurídica, fato confirmado pelo escritório em nota. As investigações da Polícia Federal indicam que o valor do contrato foi de R$ 129 milhões, sendo R$ 3,6 milhões por mês. Alessandro Vieira negou que teria dito que o dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) circulou pelas contas de familiares de Moraes, mas reforçou que o Master era uma “organização criminosa”.  

“O que eu disse e volto a repetir foi que a família (de Moraes), através do escritório de advocacia da Viviane Barci, recebeu recursos do Master. E todos nós sabemos que o Banco Master é uma organização criminosa. Lesou milhares, talvez milhões de brasileiros, pelo país afora”, acrescentou o senador, citando o “prejuízo” de mais de R$ 50 bilhões no FGC.

“Intimidação não vai funcionar. Isso mostra a importância de uma CPI específica para investigar a atuação deste e de outros ministros (do STF) que possam ter envolvimento com essa situação”, complementou.

Em 9 de março, Alessandro Vieira protocolou no Senado Federal um pedido de abertura de CPI do Master para investigar as relações dos ministros do Supremo Alexandre de Moraes e Antonio Dias Toffoli com a instituição financeira de Vorcaro. 

Conforme as investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, foram identificadas operações fraudulentas no valor de R$ 12,2 bilhões com a venda de uma carteira de crédito podre pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). 

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