CPMI do INSS

'Vamos ouvir testemunhas para não parar a CPMI', diz Viana

Após decisão do STF, comissão muda estratégia e foca em depoimentos para avançar investigação

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quarta-feira (18/3) que o colegiado vai priorizar a convocação de testemunhas para evitar a paralisação dos trabalhos após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que têm impactado a agenda da comissão.

A declaração foi dada em coletiva no Senado, um dia após o cancelamento da oitiva da empresária Leila Pereira, desobrigada de comparecer por decisão do ministro Gilmar Mendes. Segundo Viana, a estratégia agora é concentrar esforços em depoimentos de pessoas que possam contribuir com informações, sem que estejam formalmente na condição de investigadas.

“O Parlamento tem a obrigação de proteger quem está mais vulnerável, que são os aposentados. Se não podemos avançar com investigados, vamos ouvir testemunhas e seguir com a apuração”, afirmou.

Nesse contexto, a CPMI marcou para a próxima segunda-feira (23/3) o depoimento de Martha Graeff, apontada como testemunha nas investigações que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O requerimento para sua convocação foi apresentado pelo deputado Kim Kataguiri.

O nome de Martha veio à tona após a análise de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal. Nos diálogos, o ex-banqueiro relatava encontros com autoridades dos Três Poderes e detalhava sua rotina. As investigações também apuram a suspeita de transferência de bens para a influenciadora como forma de blindagem patrimonial, hipótese negada pela defesa.

Viana reforçou que a convocação não implica acusação. “Ela não é investigada. É uma testemunha que pode ajudar a esclarecer relações e fatos relevantes para a comissão”, disse.

O senador também indicou que, diante do prazo para encerramento da CPMI, previsto para o fim de março, o colegiado poderá antecipar a leitura do relatório caso não haja prorrogação dos trabalhos. Segundo ele, o documento já reúne milhares de páginas e deve apontar responsabilidades no esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

Além disso, Viana afirmou que pretende convidar ex-dirigentes do Banco Central para contribuir com a discussão sobre a regulação do crédito consignado, um dos focos da investigação. A ideia, segundo ele, é propor mudanças legislativas para evitar abusos e proteger beneficiários da Previdência.

Apesar das dificuldades, o senador disse que a comissão seguirá trabalhando para apresentar respostas. “O país precisa entender a dimensão desse escândalo, e nós não vamos recuar”, concluiu.

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