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Vorcaro faz investidas para uma delação premiada

Reuniões da defesa com Mendonça e delegados da PF sinalizam que o ex-banqueiro está pronto para falar. Inquérito sobre a investigação das fraudes do Master é prorrogado por 60 dias

Nos últimos dois dias, a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro vem intensificando conversas com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com delegados da Polícia Federal (PF), ampliando as especulações sobre uma possível delação premiada no âmbito das investigações das fraudes do Banco Master. Nessa quarta-feira, Mendonça, relator do caso, deferiu o pedido da PF autorizando prorrogação do inquérito por 60 dias.

Na terça-feira, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, visitou Vorcaro no Presídio Federal de Brasília. Em seguida, reuniu-se com delegados da PF e foi à sede do STF conversar com Mendonça. Segundo fontes, o objetivo dos encontros foi discutir um possível acordo de delação premiada.

O criminalista assumiu o caso na semana passada, após a saída dos advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval. O defensor tem um histórico de atuação em diversos casos envolvendo colaboração premiada, como na Operação Lava-Jato, quando teve como cliente o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro, um dos delatores da operação.

No pedido de prorrogação do inquérito, atendido por Mendonça, a Polícia Federal afirmou que pretende realizar "diligências reputadas imprescindíveis". Segundo os investigadores, é preciso tempo para analisar e periciar documentos e aparelhos eletrônicos, como os nove celulares encontrados com Vorcaro, por exemplo. "Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais sessenta dias", declarou Mendonça.

O inquérito apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O Correio, inclusive, já havia antecipado, na semana passada, a informação de que a Polícia Federal faria o pedido de prorrogação, especialmente, por conta da terceira fase da operação Compliance Zero.

A princípio, o inquérito deveria ter sido finalizado em 16 de janeiro, mas o prazo já foi prorrogado por 60 dias, que se encerrou na última segunda-feira.

A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025 e investiga um rombo que pode chegar a R$ 12 bilhões. Se confirmadas todas as suspeitas, os acusados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, gestão temerária, corrupção ativa e passiva e obstrução de Justiça.

Sem recuo

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação não vai se "intimidar" no trabalho de investigação do Master. A declaração foi dada nessa quarta-feira, durante um evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

"Reafirmo que nós vamos investigar e fazer nosso trabalho até o fim. Não vamos ser intimidados por ninguém, quem quer que seja", sustentou. Na avaliação dele, a Polícia Federal tem mostrado um desempenho "sério e técnico" no caso.

Rodrigues destacou que a investigação continuará e vai chegar a todos os envolvidos na rede criminosa, liderada por Vorcaro. "A Polícia Federal cumpre a Constituição, nós vamos investigar todos aqueles que temos de investigar e nós vamos sempre respeitar as leis e todo o processo legal", frisou.

Ele também fez críticas ao vazamento de conversas de cunho pessoal de Vorcaro com a então noiva, a influencer digital Martha Graeff. A modelo, por sinal, foi convocada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para depor no Senado.

 

 

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