Anápolis

Lula cobra de Durigan medida para combater o endividamento das famílias

Segundo o presidente, falta de controle financeiro e uso de métodos digitais, como Pix e cartões de crédito, além dos baixos salários, contribuem para o endividamento, que supera 80% das famílias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (26/3) que pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente uma proposta para reduzir o endividamento das famílias. O petista atribuiu o crescimentos das dívidas à falta de controle financeiro e ao baixo nível dos salários.

A fala ocorre em um momento de preocupação para o governo, já que o endividamento, em ano eleitoral, prejudica a percepção de melhora da economia e as chances de reeleição do chefe do Executivo. Ele comentou o tema durante visita à fábrica da Caoa, em Anápolis, Goiás. 

"Eu pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver esse problema da dívida das pessoas. Eu não quero que as pessoas deixem de se endividar para ter uma casa nova na vida, não estou pedindo isso. O que nós queremos é ver como a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que vocês devem, e como a gente pode começar, eu diria, a colocar na televisão uma política de ensinamento, de administrar o nosso salário", declarou.

"Nós estamos tentando encontrar uma saída, para ver se a gente diminui a angústia da sociedade. Não é uma tarefa fácil, é difícil, mas, como o Dario tem muito estudo, ele está com a função de tentar apresentar essa solução", acrescentou Lula.

O endividamento atingiu um recorde histórico em fevereiro deste ano, atingindo 80,2% das famílias, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em 2025, o crescimento total foi de 3,8 pontos percentuais. Da mesma forma, a inadimplência cresceu para 29,6% das famílias.

"Nós estamos trabalhando com muito carinho. O salário não está dando. Uma coisa é que o salário é pouco mesmo, as pessoas precisam ganhar mais", disse o presidente. "Eu sei que o dinheiro é pouco, e eu sei que nós também estamos tentando achar uma solução", emendou.

Controle financeiro

O presidente Lula apontou, porém, que o endividamento também é agravado pela falta de controle financeiro, especialmente frente a métodos de pagamento digitais, como o Pix e os cartões de crédito. Ele argumentou que, sem o dinheiro físico e com acesso a comprar pelo celular, é mais difícil controlar os gastos.

"Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada, mas, quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade pouquinhos fica grande. E a gente começa a ficar zangado. Pô, trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada. E aí, quem você xinga? O governo, é lógico, porque o mundo é assim", afirmou.

Fatores estruturais, porém, são as principais causas para o endividamento. Além dos baixos salários, citado por Lula, a situação é agravada pela alta taxa de juros, que encarece o crédito, e pela queda do poder de compra.

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