DEMOCRACIA

Em aula na UnB, Cármen Lúcia analisa democracia: "Frágil como a vida"

Ministra do STF destaca a fragilidade da democracia, alerta para desigualdades e defende o papel da educação em aula magna na UnB

Mannu Leones
postado em 22/04/2026 13:45 / atualizado em 22/04/2026 14:00
Ministra Cármen Lúcia apresenta aula magna na Universidade de Brasília (UnB) -  (crédito: Reprodução/UnBTV)
Ministra Cármen Lúcia apresenta aula magna na Universidade de Brasília (UnB) - (crédito: Reprodução/UnBTV)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma aula magna aos estudantes da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (22/04). Em sua fala, ela destacou a importância da defesa da democracia e da educação, enfatizando as diversas desigualdades que também permeiam o ambiente universitário.

“A vida é frágil, a democracia é frágil, e elas são ótimas e necessárias. Se não lutarmos todos os dias pela vida, ela se perde, seja de maneira física, factual ou naquilo que deveria ser e não foi. Assim também é a democracia", disse a ministra.

Cármen Lúcia ainda propôs uma reflexão acerca dos avanços tecnológicos e dos impactos deles no meio ambiente e na sociedade: “Estamos vivendo um momento inédito. Não é inédito que uma crise climática possa dizimar a população, mas é inédito que estamos chegando a um ponto de não retorno. Portanto, temos indagações inéditas e precisamos encontrar a melhor forma de respondê-las para garantir a democracia em funcionamento”.

De acordo com a ministra, democracia é uma “forma de viver com o outro”, respeitando-o e ampliando as liberdades. “Quanto mais a justiça é revista e possibilita o repensar, mais democrática é a sociedade”, pontuou.

Atualmente, Carmén é a única ministra mulher na Suprema Corte do Brasil. A magistrada ressaltou também a desigualdade de gênero nas universidades e nos postos de trabalho: “O princípio mais importante do direito hoje, em todo lugar do mundo, é o direito à dignidade humana. Dar dignidade aos outros na condição de seres humanos e humanas, porque existem pessoas que acham que humanos são os homens, e as mulheres, nem tanto.”

O evento foi aberto aos estudantes da UnB e aconteceu no Auditório ADUnB, às 11h. Além da ministra, a reitora da universidade, Rozana Reigota, também esteve presente.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação