
A proposta de revisão da jornada de trabalho no modelo 6x1 foi debatida nesta quarta-feira (29/4), durante reunião-almoço promovida pela Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS), em Brasília. Representantes do setor turístico, parlamentares e empresários discutiram os efeitos da possível mudança, especialmente diante das particularidades da atividade.
Convidado a relatar a posição do segmento, Orlando Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), destacou que o turismo opera sob uma lógica distinta de outros setores da economia. “O turismo não descansa quando o Brasil descansa. Ele trabalha justamente nos fins de semana e feriados”, afirmou.
Segundo ele, dados compilados por entidades e consultorias indicam que cerca de 70% dos trabalhadores do turismo já cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais — acima da média geral da economia, de 64%. Em segmentos específicos, como hotelaria e alimentação, esse percentual chega a 90% e 92%, respectivamente.
O executivo alertou que uma eventual redução da jornada, sem medidas compensatórias, pode gerar impacto direto nos custos das empresas. Hoje, a mão de obra representa cerca de 23,2% da receita operacional do setor. A diminuição da carga horária de 44 para 40 horas semanais, segundo cálculos apresentados, elevaria a folha de pagamento em aproximadamente 27%.
“Estamos falando de um setor em que mais de 90% da força de trabalho já atua acima de 40 horas. Ao mesmo tempo, se propõe uma mudança que amplia significativamente um custo que já é elevado”, disse.
Durante a exposição, Souza ressaltou que o setor não se opõe à discussão sobre a jornada, mas condiciona qualquer avanço à adoção de mecanismos que preservem empregos. Ele citou o parecer do deputado Paulo Azi, segundo o qual países que reduziram a carga horária adotaram, em contrapartida, políticas de desoneração.
Como proposta, o setor defende a substituição da contribuição patronal sobre a folha por uma alíquota sobre o faturamento — medida prevista na PEC nº 1/2026, de autoria do senador Laércio Oliveira. A ideia é reduzir o peso tributário sobre a contratação formal e dar fôlego financeiro às empresas.
“Não se trata de subsídio, mas de inteligência econômica. É permitir que as empresas continuem gerando empregos mesmo diante de uma mudança estrutural”, argumentou.
O encontro contou com a presença de parlamentares como Kim Kataguiri, Hélio Lopes, Zé Neto e Domingos Sávio, além de representantes do setor empresarial. A discussão ocorre em meio ao avanço de propostas no Congresso que buscam rever o modelo atual de jornada de trabalho no país.
Em paralelo, a Câmara dos Deputados instala hoje, às 14h, a comissão especial responsável por analisar a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

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