Eleições 2026

PL amplia articulação e testa nome do Nordeste para vice de Flávio Bolsonaro

Clarissa Tércio entra no radar como opção à vice e reforça estratégia de aceno ao eleitorado evangélico e à representatividade feminina

A busca por uma mulher para compor a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua com a entrada da deputada Clarissa Tércio (PP-PE) no radar da pré-campanha. O movimento amplia o leque de opções femininas e evidencia uma estratégia que combina identidade religiosa, recorte regional e tentativa de reduzir resistências eleitorais.

Ao Correio, Clarissa reagiu com cautela à possibilidade, sem assumir protagonismo direto na disputa. “Recebo com alegria e profunda gratidão o fato de meu nome ter sido lembrado”, afirmou, ao destacar sua atuação pautada pela “defesa da fé, da vida, da família e da liberdade”. A deputada também reforçou apoio à candidatura de Flávio, à qual associa a continuidade do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nordeste no centro da equação

A eventual escolha de Clarissa Tércio dialoga com um dos principais desafios da direita, ampliar presença no Nordeste. A região, historicamente mais resistente ao bolsonarismo, passou a ser vista como fronteira eleitoral decisiva para 2026.

Nesse contexto, o perfil da parlamentar pernambucana atende a critérios considerados estratégicos por integrantes da campanha. Além de mulher, tem forte inserção no eleitorado evangélico e origem em um estado onde a direita busca consolidar espaço. Filha de liderança religiosa e ligada à Assembleia de Deus Novas de Paz, Clarissa construiu sua trajetória política ancorada em pautas conservadoras e no capital religioso.

Fé, gênero e narrativa

A entrada de seu nome reforça uma tendência já observada na pré-campanha, o peso crescente do eleitorado religioso na definição da chapa. Com evangélicos representando parcela cada vez maior da população, campanhas têm buscado figuras com trânsito nesse segmento para ampliar capilaridade.

Nesse aspecto, Clarissa se soma a outras opções femininas avaliadas pelo PL, como a deputada Simone Marquetto e a senadora Tereza Cristina. Enquanto Marquetto aposta em uma ponte entre católicos e evangélicos, Tereza Cristina representa um perfil mais consolidado, com apoio do agronegócio e experiência administrativa.

A diferença, no caso da pernambucana, está na combinação entre discurso religioso mais explícito e inserção regional, dois fatores que podem alterar o desenho eleitoral da chapa.

Disputa aberta e articulação partidária

A inclusão de Clarissa Tércio ocorre em meio a uma disputa ainda indefinida. A pré-campanha trabalha com uma lista ampliada de nomes e evita tratar a escolha como urgente. Segundo fontes próximas a Flávio, o foco, neste momento, permanece na construção de alianças estaduais e no fortalecimento de palanques.

Dentro desse processo, o papel do Progressistas segue central. A legenda atua para emplacar um nome na vice, movimento que pode garantir maior tempo de televisão e recursos de campanha.

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