Eleições 2026

"Vejo como uma missão", diz Simone sobre possibilidade de ser vice de Flávio

Deputada desponta como alternativa na chapa de Flávio Bolsonaro ao apostar em fé, diálogo e aproximação com eleitorado religioso

Deputada Simone Marquetto (PP-SP) surge como alternativa com potencial de diálogo com o eleitorado religioso -  (crédito: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)
Deputada Simone Marquetto (PP-SP) surge como alternativa com potencial de diálogo com o eleitorado religioso - (crédito: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)

Nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, a escolha do vice segue como uma das decisões mais estratégicas. Entre nomes já consolidados, como o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), e opções em ascensão, a deputada Simone Marquetto (PP-SP) surge como alternativa com potencial de diálogo com o eleitorado religioso, especialmente católicos e evangélicos.

Em entrevista ao Correio, Marquetto tratou a possibilidade com cautela, mas deixou claro o tom que pretende imprimir ao debate. “Vejo isso como uma missão. Sempre encarei a política como uma grande missão”, afirmou.

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A fala não é trivial. Em um cenário em que a campanha de Flávio busca reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino e ampliar alianças, o discurso da deputada converge com uma estratégia já identificada por dirigentes partidários, de aproximar a chapa de um campo mais moderado, sem romper com a base conservadora.

Fé como ativo político

A possível escolha de uma vice com forte identificação religiosa dialoga diretamente com um movimento mais amplo no eleitorado brasileiro. Pesquisas de 2025, como a do DataSenado, indicam que entre os evangélicos há uma inclinação mais consolidada à direita: 35% se identificam com esse campo, enquanto 8% se declaram de esquerda; chama atenção, porém, o alto número dos que não se posicionam (42%), além de 9% no centro e 5% que não souberam ou preferiram não responder.

Entre os católicos, o cenário é mais fragmentado: 28% se alinham à direita, 15% à esquerda e 10% ao centro, enquanto 39% não declaram preferência política.

Já uma outra pesquisa divulgada no ano passado, indica que o Censo 2022 do IBGE confirma o avanço consistente dos evangélicos no Brasil, que já representam 26,9% da população com 10 anos ou mais, mais de um quarto dos brasileiros.

O crescimento de 5,3 pontos percentuais em relação a 2010, quando eram 21,6%, faz desse o grupo religioso que mais se expandiu no período.

Nesse contexto, Marquetto tenta se posicionar como ponte entre esses dois universos. Ao Correio, rejeitou o uso instrumental da religião, mas reforçou seu papel como elemento de coesão política. “Não se trata do uso da Igreja Católica ou da Igreja Evangélica, mas da união de pessoas que compartilham a fé e o projeto de deixar um legado para o Brasil”, disse.

A deputada destaca sua atuação no Congresso com a presença em eventos e pautas religiosas, além da defesa de uma agenda social ancorada na experiência como ex-prefeita. Ao mencionar creches, emprego e autonomia feminina, busca ampliar o alcance do discurso para além do campo ideológico.

Disputa interna e cálculo eleitoral

O nome de Marquetto, no entanto, ainda enfrenta resistência dentro da articulação política. Hoje, a disputa mais consolidada gira em torno de Tereza Cristina, vista como favorita por setores do PL e com forte apoio do agronegócio.

A própria deputada reconhece o peso da adversária interna. “Se ela for a escolhida, creio que o Flávio acertará muito”, afirmou, em tom conciliador.

Ainda assim, apresenta um argumento estratégico, enquanto Tereza dialoga com um eleitorado já próximo ao de Flávio, seu nome poderia ampliar a base, especialmente em São Paulo e entre mulheres.

Nos bastidores, esse raciocínio encontra eco em parte dos articuladores da campanha, que avaliam a necessidade de diversificar a composição da chapa, seja regionalmente, seja no perfil do eleitorado.

Mulher na vice: estratégia ou protagonismo?

A possibilidade de uma mulher na vice-presidência ganhou força dentro do PL e é defendida publicamente pelo próprio presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Mais do que uma resposta à rejeição, a escolha busca reposicionar a imagem da candidatura.

Marquetto, porém, tenta afastar a leitura de que se trata apenas de cálculo eleitoral. “As mulheres que se dispõem à política são fortes e decididas; não aceitam ser apenas um nome para compor a chapa”, disse.

Ao mesmo tempo, adota um discurso que procura equilibrar identidade e moderação. “Não possuo uma característica feminista, mas sim feminina”, afirmou, ao defender uma atuação baseada em “somar” e não em confronto.

O peso do eleitorado religioso

Nos bastidores, a eventual escolha de uma vice com trânsito entre católicos e evangélicos ocorre em um momento de convergência entre esses grupos no campo conservador.

Embora historicamente mais heterogêneos, os católicos vêm se aproximando de pautas que já mobilizam fortemente os evangélicos, como família e costumes.

Para a campanha de Flávio Bolsonaro, esse movimento representa uma oportunidade eleitoral relevante de unificar segmentos que, juntos, formam a maioria da população brasileira. Ao final, a própria deputada sintetiza o papel que pretende desempenhar, caso avance: ampliar o diálogo e alcançar setores onde o pré-candidato ainda tem dificuldade de penetração.

“Meu papel seria circular por locais e setores onde o pré-candidato não transita habitualmente”, afirmou.

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postado em 08/04/2026 11:38
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