A Câmara dos Deputados elegeu nesta terça-feira (14/4) o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), com 303 votos, em uma disputa marcada por rearranjos de última hora e forte embate político entre governo e oposição. A eleição ocorreu com seis candidatos, após as desistências das deputadas Adriana Ventura (Novo-SP) e Soraya Santos (PL-RJ) na véspera da votação.
O resultado consolidou uma vitória expressiva do candidato apoiado pelo governo, mesmo diante de uma articulação da oposição para unificar candidaturas e tentar derrotá-lo. A movimentação incluiu a retirada de nomes e a migração de apoios, especialmente em torno do deputado Elmar Nascimento (União-BA), que terminou em segundo lugar.
No discurso após a vitória, Odair Cunha destacou o placar como sinal de coesão da Câmara e fez referência direta ao movimento contrário à sua candidatura. “A votação dessa noite é um exemplo para a democracia brasileira”, afirmou, ao agradecer os apoios recebidos. “Quero agradecer todos os 303 votos recebidos aqui nessa noite. Compreendo a missão e a responsabilidade que tenho neste momento. Essa votação representa o compromisso de mantermos essa Casa unida em torno de compromissos democráticos, republicanos, transparentes e de respeito à nossa instituição”, declarou.
O parlamentar também elogiou a condução do processo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e vinculou o resultado à liderança do deputado. “É um tributo à vossa liderança nessa Casa legislativa. Os acordos e o diálogo não são feitos em gabinetes fechados, são feitos à luz do dia”, disse.
A fala foi interpretada como uma resposta à articulação da oposição nos bastidores para barrar sua eleição. Cunha reforçou que sempre apostou no diálogo como caminho político. “Eu nunca acreditei que a traição era o caminho. Nós sempre acreditamos na boa política”, completou.
O cenário da disputa foi alterado nas horas que antecederam a votação. A deputada Adriana Ventura retirou sua candidatura no domingo (13/4), em um movimento coordenado com partidos da oposição. Em seguida, Soraya Santos também anunciou sua saída em discurso na tribuna, defendendo a unificação.
