SINDICATOS

Lula defende contribuição sindical em meio ao 'asfixiamento' dos sindicatos

Discurso do presidente ocorreu após reunião com 36 representantes de centrais sindicais. Encontro ocorreu no dia em que o PL do fim da escala 6x1 ter sido enviada à Câmara

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a contribuição sindical não obrigatória como o "asfixiamento" de grupos que representam a classe trabalhadora. Essa contribuição, aprovada na Reforma Trabalhista de 2017, tirou a obrigatoriedade do então imposto sindical, valor repassado a sindicatos que corresponde a um dia de trabalho por ano de cada trabalhador. 

"Vocês (os sindicatos) não estão sequer reivindicando o imposto sindical. Eu nasci no movimento sindical contra o imposto sindical. O que vocês defendem hoje é uma contribuição negociada. Nem isso eles querem permitir", disse Lula, ao alegar supostos assédios cometidos por empregadores contra sindicatos.

Em seu discurso, o presidente também afirmou que fatos ocorridos nos últimos 10 anos, como o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 e a arpvoação da reforma trabalhista, "asfixiaram" o trabalhador em detrimento dos empregadores.

"Eles trataram o movimento sindical assim, vamos deixar sem dinheiro, sem conseguir fazer panfletos ou protestos. Os empresários não foram asfixiados porque eles têm o sistema S", disse, em referência a confederações voltadas à indústria, comércio e serviços. 

Luta política

No encontro com representantes sindicais, foi entregue a Lula um documento com 68 bandeiras que representam o movimentos sindicais. Entre as principais pautas, há a defesa do fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio, à pejotização, além do fortalecimento das negociações coletivas, da garantia do direito de negociação para os servidores públicos e a regulamentação do trabalho por aplicativos.

O encontro de Lula com as centrais sindicais ocorreu um dia após o envio do PL do fim da escala 6x1 à Câmara. Na reunião, tanto Lula como os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Luiz Marinho, do Trabalho, usavam boné com mensagem que pedia fim da 6x1.

Diante da entrega das pautas, Lula discorreu sobre a escolha de representantes no Congresso. "A política é feita de correlação de forças. Então é importante que vocês comecem a pensar em como que a gente faz para ter um Senado e uma Câmara com uma maioria comprometida com os direitos da maioria do povo brasileiro", apontou.

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