Atos golpistas

Ramagem chama PF de 'polícia de jagunços' e ataca Andrei Rodrigues

Cassado após condenação por tentativa de golpe de Estado, ex-deputado afirma que não havia motivos para ser preso pelo serviço de imigração dos EUA.

Menos de 24 horas depois de ser libertado pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE), o deputado cassado e ex-delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem gravou, na casa em que mora com a família, na Flórida, um vídeo para agradecer o apoio dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, de políticos e de amigos durante os dois dias em que permaneceu preso, após ser detido com documentação irregular.

A mensagem gravada por Ramagem e publicada em suas redes sociais dura pouco mais de cinco minutos. Metade desse tempo foi dedicada a críticas e acusações ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, à Polícia Federal (PF) — chamada por ele de “polícia de jagunços” — e ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. “Esse diretor-geral é uma vergonha”, disse o ex-delegado ao comentar a informação dada pela própria PF de que há cooperação entre a instituição brasileira e o ICE na questão dos imigrantes ilegais.

Segundo Ramagem, a prisão e a soltura dele foram atos “administrativos”, sem a interferência da Justiça dos Estados Unidos. “Minha situação (como imigrante) é de completa regularidade”, afirmou. “Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios”, complementou. Ele fugiu do Brasil às vésperas do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a mais de 16 anos de prisão como um dos integrantes do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado. Considerado foragido da Justiça brasileira e com nome incluído na lista da Interpol de pessoas procuradas, ele vive, desde setembro do ano passado, no estado da Flórida com a mulher e as filhas.

O ex-deputado e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Informações (Abin) apresentou um pedido de asilo político ao governo dos EUA, e vai aguardar em liberdade o fim desse processo. No vídeo, Ramagem também fez agradecimentos públicos "a mais alta cúpula da administração (de Donald) Trump".

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