O Primeiro Comando Capital é, atualmente, comparável às máfias italianas em termos de capilaridade, força e influência, e estaria "reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa, avançando em direção aos Estados Unidos". A análise é do jornal norte-americano The Wall Street Journal publicada no momento em que integrantes do governo de Donald Trump pressionam para enquadrar o PCC e o Comando Vermeho (CV) como organizações terroristas, que ameaçariam a integridade dos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, o PCC participaria do crime nos estados da Flórida, de Nova York, de Nova Jersey, de Connecticut e do Tennessee. Afirma, ainda, que a facção tem 40 mil membros e está em 30 países dos cinco continentes. "Os membros do PCC mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama. Novos integrantes aderem a um rígido código interno de conduta, e seus rituais de ingresso às vezes são realizados por videoconferência", destaca o texto.
O jornal ressalta a resistência do governo brasileiro em classificar o PCC e o CV como terroristas. Isso porque a inclusão das duas facções no rol das organizações que ameaçam a integridade norte-americana abriria espaço não somente para sanções econômicas contra o país e empresas nacionais, mas, também, justificaria ações militares — como a que foi fachada do sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro e da mulher, Cília Flores, para serem julgados nos EUA. Segundo a administração Trump, o então governo de Caracas daria cobertura ao Cartel de Los Soles e à facção Tren de Arágua.
Ao Correio, Fábio de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma (EUA), destaca que outras nações têm responsabilidade pelo avanço dos negócios da facção. "A questão é como isso deve ser enfrentado. Se o PCC investe nos EUA, é porque há lacunas na legislação americana que permitem isso, que não devem ser aproveitadas apenas pelo PCC", afirmou.
Para o professor, "a designação do PCC e outros como terroristas é péssima, pois cria riscos para o país e o sujeita a ações extraterritoriais".
Com o intuito de evitar que o PCC e o CV sejam classificados como terroristas, o Brasil oficializou com os EUA um acordo de cooperação contra o crime organizado, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. A parceria pretende fortalecer o rastreamento de atividades ilícitas transnacionais e aumentar a segurança nas fronteiras dos dois países. Uma das iniciativas prevê que a Receita Federal e agências de fronteiras norte-americanas (como a Customs and Border Protection/CBP) compartilharão dados em tempo real sobre cargas aéreas e marítimas.
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