STF

Gilmar critica Zema e pede apuração no inquérito das fake news

Ministro do STF afirma que ex-governador mineiro age de forma "ofensiva" e tenta se projetar no cenário eleitoral. Pedido de investigação foi encaminhado a Alexandre de Moraes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou as declarações do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e afirmou que o político tenta se beneficiar do contexto eleitoral. “Ele tenta sapatear, talvez aproveitando do momento eleitoral”, disse o magistrado em entrevista ao jornal O Globo

A reação ocorreu após Zema divulgar um vídeo nas redes sociais com representações em forma de fantoches de Mendes e do também ministro Dias Toffoli, em meio a críticas envolvendo o chamado escândalo do Banco Master. Diante do episódio, Gilmar solicitou que o ex-governador seja investigado no âmbito do inquérito das fake news.

Na avaliação do ministro, agentes públicos devem agir com responsabilidade ao se manifestar. “Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira”, afirmou. Ele acrescentou que as falas de Zema são interpretadas como ofensivas e precisam ser analisadas.

Gilmar também relembrou decisões do STF que beneficiaram Minas Gerais durante a gestão de Zema, especialmente liminares que suspenderam temporariamente o pagamento da dívida do estado com a União. Segundo o ministro, esse contexto torna as críticas ainda mais problemáticas do ponto de vista ético.

“Estou só chamando a atenção para o fato de que as pessoas vêm ao Tribunal, se socorrem do Tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta”, declarou o magistrado.

O pedido de investigação foi encaminhado ao relator do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes, e segue sob sigilo. A decisão sobre a abertura de apuração depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Procurado, Zema afirmou anteriormente ter recebido a notícia com “surpresa e decepção”. O embate entre os dois não é recente: em abril, o ex-governador já havia defendido o impeachment e a prisão de ministros do STF, o que levou Gilmar a apontar contradição nas críticas ao tribunal, reacendendo a troca de acusações nas redes sociais.

 

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