Caso Master

Alvo da PF, Ciro Nogueira anunciou em março que deixaria Senado se acusações fossem comprovadas

Segundo os investigadores, presidente do Progressistas teria recebido repasses mensais que chegaram a R$ 500 mil, além de outros benefícios considerados incompatíveis com uma relação apenas pessoal ou política

"Eu jamais vou voltar ao meu estado, olhar o povo da minha terra olho no olho, se eu não tiver autoridade e a confiança desse povo", declarou o piauiense a jornalistas à época - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou, em março deste ano, que abriria mão do mandato parlamentar caso fossem comprovadas denúncias envolvendo seu nome nas investigações sobre supostas fraudes relacionadas ao Banco Master. A declaração voltou a repercutir nesta quinta-feira (7/5), após o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

Na ocasião, durante um evento no Piauí para o lançamento da pré-candidatura de Joel Rodrigues ao governo estadual, o presidente nacional do PP disse que não permaneceria na vida pública caso tivesse envolvimento comprovado no caso. “Se surgir algum dia na vida alguma denúncia que seja comprovada, eu, enquanto senador Ciro, renuncio ao meu mandato. Eu jamais vou voltar ao meu estado, olhar o povo da minha terra olho no olho, se eu não tiver autoridade e a confiança desse povo”, declarou a jornalistas.

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A operação da PF investiga uma suposta rede de favorecimentos financeiros e políticos entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo os investigadores, Ciro Nogueira teria recebido repasses mensais que chegaram a R$ 500 mil, além de outros benefícios considerados incompatíveis com uma relação apenas pessoal ou política.

De acordo com a investigação, a relação entre o parlamentar e o empresário extrapolaria os limites de “mera amizade” ou “vínculo fraternal”. A PF aponta indícios de trocas financeiras e vantagens patrimoniais, incluindo a aquisição de participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, além da cessão gratuita de imóvel de alto padrão e do custeio de viagens internacionais.

Os investigadores também citam mensagens e diálogos obtidos durante a apuração que fariam referência a pagamentos periódicos ao senador. Em um dos trechos revelados pela investigação, operadores ligados ao banco discutiriam valores de “mesada” destinados ao parlamentar, inicialmente na faixa de R$ 300 mil e posteriormente elevados para meio milhão de reais mensais.

A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades e sustenta que o senador não possui qualquer participação em esquema ilícito. Em nota divulgada após a operação, os advogados afirmam que o parlamentar recebeu a decisão judicial “com serenidade” e que confia no esclarecimento dos fatos ao longo das investigações.

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postado em 07/05/2026 15:11 / atualizado em 07/05/2026 15:12
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