
A operação da Polícia Federal que colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no centro da quinta fase da Operação Compliance Zero abriu uma crise política no Progressistas e provocou abalos na federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Apesar da pressão nos bastidores e das cobranças por uma eventual licença do comando partidário, a bancada do PP na Câmara decidiu fechar fileiras em defesa do dirigente.
Em entrevista ao Correio, nesta sexta-feira (8/5), o líder do partido na Câmara, Dr. Luizinho, afirmou que há apoio integral da bancada ao senador.
“A bancada apoia de forma unânime o presidente Ciro Nogueira com a certeza de que ele provará que nada fez de ilegal”, declarou.
A ofensiva da PF, autorizada pelo ministro André Mendonça, cumpriu mandados de busca e apreensão e aprofundou investigações sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político ligado ao caso do Banco Master. A apuração mira supostas vantagens indevidas relacionadas à atuação política em favor do banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso atingiu em cheio um dos principais articuladores do Centrão e gerou desconforto dentro da federação União-PP justamente no momento em que o grupo tentava consolidar um discurso de estabilidade institucional e fortalecimento da centro-direita para as eleições de 2026.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares admitem preocupação com os efeitos políticos da investigação. Integrantes do União Brasil avaliam reservadamente que o episódio pode contaminar alianças estaduais e prejudicar negociações nacionais em andamento. Há temor também de que novas fases da operação ampliem o alcance político do caso.
Questionado sobre os impactos da crise na relação entre PP e União Brasil, Dr. Luizinho adotou cautela e indicou que o cenário ainda será discutido internamente pelas lideranças da federação.
“Durante a semana conversando com parlamentares da nossa federação poderemos avaliar melhor os possíveis impactos”, afirmou.
Apesar da defesa pública, a situação de Ciro passou a ser tratada com apreensão dentro do próprio Progressistas. Aliados reconhecem reservadamente que a continuidade da investigação pode aumentar a pressão sobre o senador, sobretudo se houver novos desdobramentos envolvendo operadores financeiros e possíveis delações.
A reportagem entrou em contato também com o União, e não quis se manifestar, o espaço permanece aberto.

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