Congresso Nacional

Boulos pressiona oposição e rejeita transição no fim da escala 6x1

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirmou que governo Lula quer votação rápida da proposta e criticou parlamentares contrários à redução da jornada de trabalho

"O projeto que acaba com a 6x1 e garante dois dias de descanso é o projeto da família brasileira", disse Boulos ao chegar à Comissão - (crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, elevou o tom contra a oposição nesta quarta-feira (13/5), na chegada para a participação na comissão especial da Câmara que discute o fim da escala 6x1.

Antes de entrar na reunião, o ministro afirmou que parlamentares bolsonaristas evitam o debate sobre a redução da jornada de trabalho e acusou adversários de defenderem “os privilegiados” em vez dos trabalhadores.

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Boulos rebateu críticas de que a proposta teria caráter eleitoreiro e disse que os opositores deveriam explicar sua posição aos milhões de brasileiros que trabalham 44 horas semanais. Segundo ele, o projeto representa uma pauta de defesa da família trabalhadora.

“O projeto que acaba com a 6x1 e garante dois dias de descanso é o projeto da família brasileira”, declarou. O ministro também criticou parlamentares que, segundo ele, defendem pautas conservadoras, mas rejeitam medidas que ampliem o convívio familiar.

Durante a entrevista, o ministro citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) e afirmou que o envio do projeto com urgência constitucional demonstra o compromisso do governo com a pauta. Segundo Boulos, a medida impede que a discussão seja adiada para depois das eleições de 2026.

Ele mencionou declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que o ideal seria deixar a votação para depois do período eleitoral.

O ministro também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível adversário de Lula em 2026. “Até onde eu sei, a posição dele é de se omitir e defender os privilegiados e não defender o trabalhador”, afirmou.

Para Boulos, a votação da proposta deve expor o posicionamento de parlamentares sobre a redução da jornada e o descanso semanal.

Boulos minimiza impactos da redução

Outro ponto defendido pelo ministro foi a rejeição a qualquer período de transição para implementação da escala 5x2 e da jornada semanal de 40 horas. Segundo ele, benefícios concedidos ao setor empresarial costumam entrar em vigor imediatamente, enquanto medidas voltadas aos trabalhadores enfrentam adiamentos.

“Isso é uma forma de postergar”, afirmou. Boulos declarou que a orientação do governo é para que a mudança passe a valer assim que aprovada.

Ao defender a proposta, o ministro também minimizou alertas de empresários sobre possíveis impactos econômicos e aumento da informalidade. Segundo ele, argumentos semelhantes foram usados historicamente contra avanços trabalhistas, como salário mínimo, férias remuneradas e 13º salário.

Boulos afirmou que estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que a reorganização das escalas pode absorver os efeitos da redução da jornada sem provocar desemprego em massa.

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postado em 13/05/2026 16:09
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