
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou uma série de medidas cautelares contra investigados apontados pela Polícia Federal como integrantes de uma organização criminosa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão da Operação Compliance Zero descreve a atuação de dois núcleos especializados: um voltado a intimidações presenciais e obtenção de dados sigilosos, e outro dedicado a ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento ilegal.
Segundo a decisão, a PF pediu a prisão preventiva de sete investigados, entre eles Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, além de policiais federais da ativa e aposentados. Também foram solicitadas medidas restritivas contra outros envolvidos, incluindo afastamento de função pública, proibição de contato com policiais federais e restrição de acesso a dependências da corporação. O Ministério Público Federal se manifestou favoravelmente às medidas requeridas pela investigação.
De acordo com a representação policial, o grupo chamado “A Turma” seria responsável por ameaças, levantamentos clandestinos e acesso indevido a sistemas governamentais. Já o núcleo “Os Meninos” atuaria com hackers especializados em derrubada de perfis, monitoramento digital e invasões telemáticas. A PF sustenta que ambos os grupos eram coordenados por Felipe Mourão e atuavam em benefício dos interesses do núcleo central da organização investigada.
A decisão afirma que Henrique Moura Vorcaro teria papel relevante no financiamento do esquema e na solicitação direta dos serviços ilícitos. Conversas extraídas do celular de um dos investigados indicariam cobranças de pagamentos mensais de até R$ 800 mil para manutenção das atividades dos grupos.
A corporação aponta ainda que Henrique continuou acionando integrantes da organização mesmo após o avanço ostensivo da operação e teria utilizado números telefônicos estrangeiros para dificultar o rastreamento das comunicações.
Suspeita de participação de policias federais no esquema
No braço digital da organização, a investigação descreve o papel de David Henrique Alves como líder do grupo hacker “Os Meninos”. Segundo a PF, ele receberia cerca de R$ 35 mil mensais para coordenar ataques cibernéticos, monitoramento ilícito e derrubada de perfis críticos aos interesses do grupo.
A decisão também relata suspeitas de tentativa de ocultação de provas após a deflagração da terceira fase da operação, quando David teria deixado às pressas sua residência transportando computadores, notebooks e outros equipamentos eletrônicos.
A decisão ainda descreve a participação de policiais federais no suposto esquema de obtenção de informações sigilosas. Um agente da PF da ativa é apontado como responsável por realizar consultas indevidas em sistemas internos da corporação e repassar dados reservados ao grupo investigado.
O ministro André Mendonça afirmou que os autos apresentam “quadro indiciário robusto” sobre a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre operadores presenciais, hackers e colaboradores encarregados da sustentação financeira e logística do esquema.
