Congresso Nacional

"Bolsonaristas sumiram", diz líder do PT após áudio de Flávio

Base governista vê desgaste de Flávio Bolsonaro após vazamento de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro e aponta esvaziamento da oposição na Câmara

Em entrevista ao Correio, Uczai destacou a ausência da base bolsonarista na Câmara após o vazamento envolvendo Flávio e Vorcaro -  (crédito: Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)
Em entrevista ao Correio, Uczai destacou a ausência da base bolsonarista na Câmara após o vazamento envolvendo Flávio e Vorcaro - (crédito: Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

A divulgação do áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enviado para o banqueiro Daniel Vorcaro, provocou forte reação da base governista nesta quinta-feira (14/5) no Congresso Nacional, que amanheceu esvaziado por parte da bancada bolsonarista, em meio à repercussão do caso.

Em entrevista ao Correio, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que o silêncio da oposição seria reflexo do impacto causado pelas revelações.

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“É evidente que os bolsonaristas sumiram do Plenário. Foi constrangedor pra eles. Após a revelação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que evidenciaram essa relação de proximidade e afetividade entre os dois, na noite de quarta-feira (13), a extrema-direita sumiu do debate na Câmara”, declarou.

Nos bastidores, governistas já avaliam que o episódio atingiu diretamente o discurso anticorrupção sustentado pelo bolsonarismo nos últimos anos. A avaliação predominante entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a de que a revelação dos diálogos expôs divisões internas na direita e abriu uma crise dentro da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026.

Para Uczai, o desgaste do senador não ficou restrito ao campo adversário. Segundo ele, integrantes do próprio entorno político de Flávio teriam sido surpreendidos pela dimensão da relação com Vorcaro.

“Primeiro, a informação que temos é a de que Flávio Bolsonaro havia garantido ao seu núcleo, o entorno de sua pré-campanha, que suas relações com o banqueiro preso, Daniel Vorcaro, eram protocolares. Ou seja, o entorno do próprio Flávio foi pego de surpresa por essa bomba. Na verdade, o que vimos é uma relação de ‘irmão’ entranhada na corrupção entre Flávio e Vorcaro”, afirmou o petista.

Estratégia de Lula se mantém

Apesar de reconhecer o impacto político do episódio sobre os apoiadores de Bolsonaro, o líder do PT afirmou que a eventual fragilidade da oposição não altera a estratégia do governo para a disputa presidencial.

“O desgaste do clã Bolsonaro de certa maneira pode favorecer o centro democrático. Mas eu estou convencido de que o presidente Lula será reconduzido pelo povo brasileiro a um novo mandato pelos avanços do seu governo. Quando começar a campanha,nós vamos comparar o que nós fizemos e o que eles fizeram”, disse.

A crise também evidenciou fissuras dentro da direita. Ontem, o ex-governador de Minas Gerais e pré candidato à ´Presidência Romeu Zema (Novo) passou a fazer críticas públicas ao caso, movimento interpretado por aliados de Flávio Bolsonaro como tentativa de ocupar espaço na corrida presidencial. Zema era cotado como um possível vice na chapa de Flávio.

Uczai minimizou o distanciamento de Zema e classificou o movimento como “oportunismo eleitoral”.

“O Romeu Zema é sócio do bolsonarismo há oito anos. O Partido Novo é linha auxiliar da extrema-direita. A declaração do ex-governador Zema é oportunismo eleitoral, jogo de cena. Flávio e Zema vão tomar um café, comer um pão de queijo e se abraçar em breve”, afirmou.

Distanciamento

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) também reagiu ao caso e afirmou que o impacto político vai além de Flávio Bolsonaro.

“Tudo é muito grave: afeta Flávio Bolsonaro e toda a direita. Por este motivo, muitos querem se distanciar. Mas as provas de que eram todos ‘irmãos’ estão publicadas há meses. Zema não tem como esconder”, afirmou a parlamentar.

Enquanto governistas defendem o aprofundamento das apurações, aliados de Flávio Bolsonaro tentam conter os danos e classificam o vazamento como uma ofensiva política contra a direita às vésperas da disputa presidencial de 2026.

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postado em 14/05/2026 14:59
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