Após a rejeição histórica para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o futuro do advogado-geral da União, Jorge Messias, será definido na próxima semana. De acordo com interlocutores da presidência da República, o jurista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vão se reunir, na próxima semana, no Palácio do Planalto, para discutir a situação. Alguns aliados do chefe do Executivo têm defendido que a permanência do AGU no cargo ficou insustentável.
A avaliação ocorre por conta do contexto da rejeição dele no Senado. Nos bastidores do Supremo, corre que ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes, atuaram na articulação para que ele fosse barrado pelos congressistas. Isso teria ocorrido em razão da proximidade dele com o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master e fraudes bilionárias. A rejeição teria sido articulada em razão da possibilidade de que Messias reforçasse o grupo de Mendonça, e colocasse adiante investigações aprofundadas sobre o caso, que poderia respingar em Moraes e no ministro Dias Toffoli, que mantêm algum tipo de proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Master, preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Fontes ouvidas pelo Correio apontam que Messias ficou profundamente abalado com a votação no Senado e decidiu sair do governo. No entanto, foi convencido por nomes próximos ao presidente para continuar no cargo. Ele foi informado de que essa é uma vontade do próprio presidente, que tem planos para ele.
A decisão de deixar os quadros do Poder Executivo, tomada por Messias, perdeu força nos últimos dias e a tendência é que ele permaneça no posto em que está. Mas tudo vai depender dos rumos da conversa que ocorrerá no começo da semana que vem.
Ministério da Justiça
Uma das possibilidades ventiladas é a de que Jorge Messias seja movido para o Ministério da Justiça. Essa seria uma resposta do presidente Lula para quem articulou contra a escolha feita por ele. No comando da pasta, Messias daria total liberdade para que investigadores da Polícia Federal avançassem sobre o caso Master, independentemente de envolver autoridades do alto escalão do Judiciário, do Legislativo ou do próprio governo. A indicação não seria para realizar qualquer intervenção no trabalho policial, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem, mas, sim, para dar fôlego e equipar mais a corporação.
Apesar da possibilidade, Jorge Messias está inclinado a não aceitar ofertas deste tipo. A decisão é para evitar novas turbulências em sua vida pessoal e política, tendo em vista que ele, até o último momento, acreditava que iria convencer a maioria dos senadores a autorizar seu ingresso na Suprema Corte.
O presidente Lula ainda pretende consultar alguns membros do governo, neste fim de semana, antes de tomar uma posição definitiva sobre o futuro do AGU em seu governo. A rejeição dele pelos senadores cria situações embaraçosas não só com o Legislativo, mas também, com o Judiciário, Poder que o presidente mantém proximidade desde que foi eleito.
