
Após ter a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, deve permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda não está definido, no entanto, se ele seguirá à frente da Advocacia-Geral da União (AGU) ou será deslocado para outra função no Executivo. Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que Messias deixaria o governo após a derrota. O presidente, porém, indicou que pretende manter o aliado na equipe. Uma nova reunião entre os dois está prevista para os próximos dias, quando o futuro do ministro deve ser definido.
O tema foi tratado em encontro realizado no Palácio da Alvorada, na quarta-feira (29/4), que reuniu, além de Messias, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro da Defesa, José Múcio, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. A reunião teve como foco imediato a repercussão da votação no Congresso.
A rejeição do nome de Messias, que obteve 34 votos favoráveis — sete a menos que o necessário —, abriu uma crise política no Palácio do Planalto e expôs fragilidades na articulação do governo no Senado. A votação, considerada uma das principais derrotas do terceiro mandato de Lula, foi atribuída por aliados a uma ofensiva liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
O resultado também intensificou pressões internas sobre Jaques Wagner. Integrantes do governo avaliam que o senador não atuou de forma eficaz para garantir apoio à indicação e criticam o excesso de otimismo nas previsões apresentadas ao presidente. Nos bastidores, integrantes da base governista defendem mudanças na liderança do governo no Senado, em meio a um ambiente de tensão crescente entre Executivo e Legislativo.
Apesar do desgaste, Messias buscou adotar um tom conciliador após a derrota. Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (1/ 5), agradeceu nominalmente a Jaques Wagner e ao senador Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pelo apoio durante o processo. “Jesus Cristo nos ensinou o valor da gratidão. Agradeço profundamente aos meus amigos Jaques Wagner e Otto Alencar, e aos 32 senadores que me apoiaram incondicionalmente ao longo deste processo”, escreveu.
A indicação de Messias havia sido feita por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A rejeição, incomum na história recente do Senado, segundo interlocutores, teria aprofundado uma crise política entre o Planalto e o Congresso.

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