O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) considerou a suspensão de 60 dias dos mandados dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) uma decisão “vergonhosa”.
A suspensão foi aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em razão da ocupação da Mesa Diretora sob a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), em agosto de 2025, contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) antes da condenação final por tentativa de golpe de Estado.
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“Dia vergonhoso para o Parlamento hoje”, escreveu Nikolas no X (antigo Twitter). Na visão dele, a punição da suspensão por dois meses aconteceu “simplesmente por [eles] se manifestarem na Mesa Diretora do Plenário da Câmara”.
A ocasião, considerada um motim bolsonarista de reação à prisão, inviabilizou o funcionamento do plenário da Casa por 30 horas. Os parlamentares da oposição ocuparam e permaneceram nas mesas do plenário da Câmara e Senado, em esquema de revezamento, impedindo a realização de sessões.
O Congresso foi isolado pela Polícia Legislativa e apenas eram permitidas as entradas de parlamentares. Com a mobilização, a intenção foi pressionar a cúpula das Casas para pautar anistia ao ex-presidente e aos participantes dos atos golpistas do 8 de janeiro, além do impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Nikolas criticou a possibilidade de voto à distância e considerou uma punição aos deputados e seus eleitores: “Juntos, são mais de 400 mil eleitores censurados”, afirmou.
Em discurso antes dos votos, Zé Trovão e Van Hattem afirmaram que repetiriam a ocupação, enquanto Pollon disse que a sanção seria uma "medalha" a eles. "Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu assim o farei", declarou Zé Trovão. "Se for preciso, faremos quantas vezes for necessário", completou Van Hattem.
Depois da decisão da punição, Trovão chorou, disse que os colegas estavam cometendo injustiça e que os funcionários de seu gabinete ficarão sem receber salário por dois meses.
As sugestões de suspensão foram analisadas individualmente e aprovadas por 13 votos a favor e 4 contra nos casos de Pollon e Van Hattem. O placar contra Zé Trovão foi de 15 a 4. Os três afirmaram que vão apresentar recurso contra a decisão à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). Eles têm até cinco dias úteis para isso. Se o pedido for rejeitado pelo colegiado, eles também poder recorrer ao plenário, onde os 513 deputados votam.
Nikolas se colocou à disposição para reverter “essa decisão absurda na CCJ”, em suas palavras. “Não vamos normalizar parlamentar sendo punido por representar aquilo que milhões de brasileiros defendem e pensam”, finalizou.
